Admirável post novo: sair das redes faz você se isolar?

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Segundo o relatório “Digital in 2018: The Americas”, divulgado pelas empresas We are Social e Hootsuite, em janeiro de 2018, mais de 62% da população brasileira está ativa nas redes sociais. Em julho do mesmo ano, só o Facebook contava com 127 milhões de usuários ativos por mês. Sabe o que isso significa? Uma enxurrada de posts, likes e comentários que roubam preciosos minutos da nossa atenção todos os dias. Se por um lado há quem fique ávido para rolar esse feed eterno, por outro, já tem muita gente se livrando desse vício.

É justamente esse o alvo do estudo Todo Mundo Quem?, realizado pelos pesquisadores Filipe Techera e Luiza Futuro. Ele busca entender os hábitos e escolhas de pessoas que optaram por ficar fora das redes sociais. Na verdade, essa é uma onda que já tem sido notada em outros países, como Inglaterra e Estados Unidos, onde os jovens têm buscado diminuir consideravelmente o tempo online nas mídias. O número de adeptos foi tão grande que o movimento recebeu o nome de Logged Off Generation (Geração Desconectada).

O estudo ainda não tem todos os dados divulgados, mas só a sua realização já é um marco. Se desconectar das redes sociais é uma atitude tão incomum ultimamente que merece ser acompanhada de perto pelos especialistas. Até porque, como entender que uma pessoa que tenha renda e discernimento possa escolher ficar fora desse universo? É praticamente tão escandaloso quanto explicar a reprodução vivípara para os personagens do clássico distópico “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley.

Mas, afinal, quem é o selvagem?

Admito que até eu, quando estou em uma roda de amigos e descubro que alguém não tem Facebook ou Instagram, reajo com espanto no primeiro momento. É como se a pessoa acabasse de dizer que mora em uma ilha deserta, vivendo apenas de pesca e colheita. Mas me basta um minuto de reflexão para entender que o significado de sociedade moderna tradicional, muitas vezes, é se estapear em um ônibus lotado para chegar em casa tarde da noite e comer um peixe congelado feito às pressas. De repente, a ilha faz muito mais sentido.

É exatamente o que tenho refletido sobre as redes sociais. Claro que a internet é uma ferramenta incrível que nos dá acesso às mais valiosas informações. Mas, na maior parte do tempo, nós a usamos para navegar em um mar de fake news, discursos de ódio e exibicionismo barato. Até o YouTube, sucesso de audiência entre crianças e pré-adolescentes, tem sido utilizado para pedofilia, como ficou exposto na campanha #YouTubeWakeUp.

A presença de criança na web é sempre um motivo de polêmica e riscos

Por mais que eu ame os memes, a produção deles teria que ser dobrada para combater o número de posts com pessoas comentando sobre assuntos que elas não entendem, sem saber a responsabilidade e o alcance que essas publicações podem ter.

Mas é claro que nós engolimos tudo isso diariamente pelo simples fato de as redes sociais nos conectarem. Elas permitem que a gente tenha contato com várias pessoas ao mesmo tempo, diminuindo a sensação de solidão.

Porém, façamos um teste. No dia do seu aniversário, repare quantas pessoas te ligam ou te veem pessoalmente, em relação ao número de postagens burocráticas no seu feed, como: “feliz aniversário, tudo de bom. Aproveite o seu dia!”. Não se engane, a cada ano, esse número diminui. Ah, e vale lembrar que pouquíssimas pessoas realmente sabem a data do seu aniversário. Elas só mandaram parabéns porque foram avisadas pelo sistema do Facebook.

Então, será mesmo que essas plataformas nos conectam? Ou será que nos afastam?

Estou ansioso para ver o resultado desse estudo, que provavelmente deve vir acompanhado de um material audiovisual. Na verdade, para mim, é um sopro de esperança para que isso motive uma reflexão muito maior sobre o tema. Mas de uma coisa eu tenho quase certeza… Minha maior curiosidade não é compreender porque as pessoas deixam as redes sociais, e sim entender porque nós ainda continuamos lá.

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