“Brasileiro não gosta de trekking”

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram

A guia de turismo peruana foi categórica: “Brasileiro não gosta de trekking. Isso é coisa de europeu.” Essa foi a resposta que recebi em Arequipa, Peru, quando eu perguntei sobre um passeio que me indicaram. Ela me pareceu tão convencida da informação que eu nem discuti. Fechei o pacote que ela me sugeria e fui embora. Mas aquela frase ficou na minha cabeça. Eu precisava descobrir se, de fato, meus compatriotas eram mesmo adversos à saudável prática de fazer trilhas.

Para sanar essa dúvida, procurei a ajuda de alguém que entendesse do mercado nacional e dos hábitos de turistas. Biólogo de formação, Otávio Lino já foi guia em Machu Picchu e é um verdadeiro especialista em viagens de aventura. Atualmente, ele é fotógrafo de natureza e gestor de marketing da Pisa Trekking. Ou seja, a pessoa ideal para resolver a questão.

“Existe na Europa uma tradição, uma cultura do trekking muito mais forte do que no Brasil”, explicou Otávio. “Lá, os adolescentes com 18 anos já estão indo pra Mont Blanc (montanha dos Alpes que dividem a França da Itália). Não dá para generalizar, mas o perfil nacional sempre foi aquele de fazer viagem para descansar. Porém, eu acho que o brasileiro faz cada vez mais viagem de trekking.”

Vamos à trilha, filhos da Pátria

Há 10 anos trabalhando no mercado de turismo, Otávio já percebe que o interesse por viagens de aventura está aquecendo. Para ele, um dos motivos pode ser o processo de amadurecimento do segmento.

“No passado, os brasileiro quase não viajavam, nem o câmbio permitia. Quando a população começou a ter dinheiro, a busca era ir para os Estados Unidos, ou às capitais europeias. Depois de conhecer esses locais urbanos, a tendência é procurar outros destinos. Chega a vez do Monte Roraima, por exemplo.”

Uma das dúvidas que eu tinha era se a ausência de cordilheiras, ou grandes montanhas, fizesse com que a nossa prática de trekking fosse menos atraente. Nessa questão, Otávio foi categórico: Sem chance.

“Chapada diamantina é sensacional. Qualquer gringo fica encantado”, exemplificou. “A Serra da Mantiqueira é um relevo bem acidentado e está pertinho de São Paulo. Existem paisagens incríveis para o trekking. É só uma questão de hábito mesmo.”

Podemos dizer que hoje os europeus estão mais acostumados com esse tipo de passeio. Têm mais habilidade e até um ritmo mais forte, é verdade. Mas os brasileiros estão começando a despertar para a prática e aproveitar as maravilhas naturais do nosso país. Você quer começar a praticar o trekking? Uma dica é procurar uma agência especializada nesse tipo de aventura. Um profissional vai saber indicar um destino adequado, além de ensinar como usar todos os equipamentos. Em breve, nossas pernas serão tão torneadas quanto de qualquer nacionalidade aventureira.

Tags

sobre o autor