A posição do Brasil no mercado de turismo internacional

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Em dezembro de 2018, o relatório anual da empresa Euromonitor International avaliou quais cidades receberam mais turistas ao redor do mundo. Segundo a publicação, a turbulência política vivida pelos Estados Unidos e pela Europa fez com que os destinos asiáticos se tornassem os favoritos dos turistas. Entre os cinco primeiros colocados em número de visitantes, só há uma cidade europeia, Londres, na terceira posição, enquanto Hong Kong, Bangcoc, Singapura e Macau completam as primeiras posições.

Nesse contexto, é normal imaginar que o Brasil também conseguiria aproveitar o momento para aumentar o número de turistas. Mas não é o que a pesquisa indica. O Rio de Janeiro é a única cidade nacional relacionada entre as 100 primeiras, ocupando a 94º posição. São sete lugares abaixo da pesquisa de 2017.

Se a cidade maravilhosa perder o mesmo número de posições em 2019, nem deverá aparecer no ranking no final do ano. Nesse contexto, surge a dúvida de sempre: o que falta para o Brasil estar entre os países mais visitados do mundo e aumentar a participação do turismo na economia nacional?

Mas antes de partir em busca de respostas, é fundamental compreender a complexibilidade dos dados de um setor tão difuso quanto o de Turismo.

Principal destino nacional, Rio de Janeiro pode ficar fora do próximo levantamento

“Nós temos uma dificuldade muito grande de conseguir informações precisas sobre atividades turísticas e, consequentemente, entender as metodologias de cálculo”, esclarece Luiz Del Vigna, presidente executivo da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura (ABETA). “Mas, apesar de o número de visitantes aumentar ano a ano, e isso é uma verdade, o Brasil está muito atrasado em relação ao resto do mundo quanto à receita internacional de turismo”, completa Vigna.

A importância de entender nossas fraquezas

Para compreender como funciona o fluxo de turistas, é importante mudar a ótica de observação e colocar um pouco o “chapéu do visitante”. Nessa hora, o primeiro ponto percebido, normalmente, é o custo da viagem.

“Esse é um problema clássico. O Brasil é caro tanto em valores absolutos quanto em valores relativos”, ressalta Luiz. “Vir para cá não é uma viagem econômica, e a qualidade da oferta turística, em geral, deixa muito a desejar”.

Para ilustrar o raciocínio, o ideal é comparar não apenas os custos dos serviços, mas também a qualidade da entrega. Um exemplo são os planos de internet móvel disponíveis aqui, em relação ao serviço estrangeiro.

Justamente por não ser um dos destinos mais baratos, o investimento na promoção e no fortalecimento da imagem brasileira é ainda mais importante. Nesse quesito, estamos sujeitos a um obstáculo difícil de ser superado: a quantidade de verba.

“Em 2017, a EMBRATUR (Empresa Brasileira de Turismo) tinha um orçamento na casa de 18 milhões de dólares para promover o Brasil no exterior”. Para efeito de comparação, o Equador tinha 60 milhões de dólares no mesmo período”, compara o presidente da ABETA.

Além da questão financeira, é necessário acertar na estratégia de divulgação. Durante muito tempo, o Brasil se promoveu majoritariamente como um destino de praias. Segundo Luiz, esse é um ponto que pode não gerar muito interesse no mercado norte-americano, uma vez que o acesso aos destinos caribenhos é mais fácil, por ter uma proximidade cultural e geográfica maior.

Apesar de lindas, as praias brasileiras enfrentam forte concorrência com destinos caribenhos

Apesar de ser uma das maiores dificuldades do nosso país, não existe nenhum indicador seguro de que a violência possa ser considerada um grande limitador para o turismo nacional. “Esse é um problema que extrapola a questão do turismo, e é uma situação intolerável. Porém, existem mais reclamações de turistas sobre a falta de sinalização do que sobre a falta de segurança. A falta de sinalização e estrutura afeta cem por cento dos visitantes. Já a violência, não. São casos mais isolados”, afirma Vigna.

Paisagens naturais e ecoturismo: o caminho para atrair mais visitantes

Do mesmo modo que é importante conhecer as fraquezas para buscar melhorias, compreender as oportunidades é fundamental para alavancar o turismo brasileiro no cenário internacional. Nesse panorama, explorar as paisagens naturais é uma saída bem interessante.

As paisagens da Floresta Amazônica são únicas no mundo

“Qual é a visão internacional do Brasil? Que é um país grandiloquente, verde, que tem florestas, índios, piranhas, anacondas… E isso não é ruim. Estar associado a isso não diminui um país e nem o coloca num lugar pior. Isso mexe com o imaginário do turista”, pondera Luiz. “Em um cenário em que há a necessidade de combater o aquecimento global e que a preservação da natureza faz parte do mundo moderno, o Brasil larga na frente”.

Esse raciocínio, porém, não é uma unanimidade na população. Em muitos casos, propagandas que utilizam desse artifício para representar o país são consideradas preconceituosas e estereotipadas.

“Para a Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, a BBC fez um teaser que me deixou emocionado, em que os animais apareciam praticando esportes”, lembra o diretor. “Mas esse vídeo virou motivo de repúdio da sociedade brasileira nas redes sociais. As pessoas que fizeram essa manifestação contrária não entenderam o que é o imaginário do estrangeiro. Eu acho que a gente deveria se apropriar dessa visão e conduzir a comunicação do país de uma maneira inteligente”.

Com a quantidade de paisagens distribuídas por nossos parques nacionais, mexer com a imaginação dos estrangeiros não é tão difícil. Por ser um país de proporções continentais, o Brasil possui uma ampla variedade de biomas, passando pelas florestas tropicais, cerrados, pampas, entre outros. Uma riqueza que pode ser melhor explorada não apenas no território nacional, mas também nos arredores.

“Não existe nenhum outro subcontinente com tantas atrações naturais como a América do Sul. Se a sociedade for inteligente, vai colocar o minério de ferro no bolso, porque o turismo tem uma possibilidade de receita infinitamente maior”, conclui o diretor da ABETA.

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