A novela acabou; o Velho Chico, não

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“Há um rio afogando em mim, secando… secando…” Quem acompanhou a novela Velho Chico, da Rede Globo, já está sentindo aquele vazio interno. Hoje, vai ao ar o último capítulo da trama de Benedito Ruy Barbosa. Porém, mais importante do que falar da história, vamos discutir o que essa obra deixou como legado para o ecoturismo nacional.

Ao sair do eixo Rio-São Paulo, as novelas cumprem um importante papel de apresentar outras regiões para milhares de telespectadores. Se Império mostrou o Monte Roraima, Além do Tempo, por sua vez, utilizou as belas paisagens da São José dos Ausentes em seus enquadramentos. Nesse quesito, Velho Chico não decepcionou. Segundo a reportagem publicada pelo portal UOL, o rio São Francisco apresentou um aumento de aproximadamente 25% no número de visitantes. Se por um lado a direção global não economizou em belas imagens, por outro, o rio tem muita coisa para mostrar.

Um local para navegar (sem o Gaiola Encantado)

Com 2863 quilômetros de extensão, o São Francisco é um dos principais rios do País. Suas águas banham cinco estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe) e trazem paisagens espetaculares, como os cânions do Xingó, Mirante do Talhado e o Porto de Borogodó.

Se só as paisagens não são suficientes, a rica cultura do local é uma outra atração imperdível. Na cidade de Prainhas (Alagoas), por exemplo, guias turísticos vestidos de cangaceiro contam a história do bando de Lampião e Maria Bonita. O objetivo é seguir a trilha usada pelos militares para armar a emboscada que deu fim ao grupo, em Grota de Angico (Sergipe), em 1938. Um passeio para se fazer vestido de gibão ao som de xaxado.

Cânions do Xingó (WikiCommons – Washington Moraes)

A sintropia de Miguel

Outra questão que gerou muita discussão, e a raiva do Coronel Saruê, foi a sustentabilidade na agricultura. A sintropia, tão defendida pela personagem de Gabriel Leone, é um conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visam promover um balanço energético do sistema, permitindo com que solos degradados pela agricultura tradicional se transformem novamente em um sistema produtivo e sustentável.

O criador desse processo é um agricultor e pesquisador suíço, Ernst Götsch, que emigrou para o Brasil ainda nos anos 1980 para desenvolver suas técnicas na prática. Se você quer compreender um pouco mais sobre esse tema, uma sugestão é assistir a uma edição especial do curta Vida em Sintropia, feita especialmente para ser apresentada na COP 21, em Paris.

O respeito às águas

Outra lição que a novela Velho Chico nos trouxe não foi por meio da ficção. O afogamento do ator Domingos Montagner nas águas do rio título emocionou o País e acendeu uma questão muito importante: É preciso ter respeito às águas.

Não que o ator tenha sido desrespeitoso, longe disso. Mas é importante lembrar de como é perigoso entrar em um local sem o conhecimento adequado. Por mais que a gente saiba nadar, a atenção com a água é fundamental. Basta uma correnteza, um buraco, ou prender o pé em uma planta, para que o prazer se torne um verdadeiro risco de morte.

Independentemente do lugar, se é mar, lagoa, rio ou piscina; a cautela é fundamental. Se há uma placa dizendo que é perigoso nadar na região, é melhor procurar outro local, por mais paradisíaca que possa ser a paisagem. Se as águas conseguiram levar um cabra valente como Santo dos Anjos, é melhor nem arriscar.

O mais importante é lembrar que a novela acabou, mas o Velho Chico não. Continua sendo um destino incrível aqui no Brasil para você visitar.

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