A dor e a delícia de viajar sozinha

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram

Eu nunca nem tinha saído de São Paulo quando decidi ir pra Dublin em 2015. Sair no sentido de viajar mesmo, conhecer outros estados e culturas. E isso me atormentou durante o intercâmbio inteiro. Explicar para os europeus que turistar no meu próprio país é mais caro para nós que para eles é bem embaraçoso. Dizer que não conhece o Rio, então… É pedir para checarem seu passaporte, pra ter certeza que você é made in Brazil.

Mas foi na Ilha Esmeralda que eu descobri que viajar sozinha é libertador. A natureza lá é incrível! O país é cheio de paisagens costeiras deslumbrantes. E é claro que eu me aventurei nas trilhas ao lado do mar para explorar tudo mais de perto (entre outras viagens). A maioria delas era bem definida e de fácil acesso, dispensava guia. No começo, ia com amigos mais experientes. Depois, passei a ir sozinha mesmo, e tudo certo. Aproveitava o dia, tirava umas fotos e voltava para casa sã, salva e feliz.

Mas isso já tem quase um ano. Desde que voltei da “gringa”, venho querendo curtir mais a natureza e o clima tupiniquins. Afinal, foram quase três anos de um sol irlandês tímido, e eu já estava morrendo de saudades do sol brasuca.

Eis que a gente passa um fim de semana inteiro de chuva em casa, pesquisando a trilha perfeita para recarregar as energias nos próximos dias de folga. Checa o lugar, o melhor jeito de chegar lá, o clima, a altitude, o nível de dificuldade, a duração, as paisagens… Tudo pronto para cair na estrada, sozinha mesmo, como nos velhos tempos. Mas será que a aventura vale o risco de viajar na nossa própria companhia?

Não é só um ‘fiu-fiu’

Para mim, é inegável que a cultura do assédio é mais predominante aqui na América Latina do que lá na Europa — veja bem, eu disse pre-do-mi-nan-te, e não inexistente. Esse choque cultural eu senti na pele. No Velho Continente, era muito difícil eu me aborrecer ao sair na rua, por exemplo. Já aqui, acho que nem de burca nós mulheres escapamos dos desagradáveis fiu-fius. Semana passada mesmo dei piti por causa disso, e aposto que você também tem seus próprios casos pra contar.

Segundo uma pesquisa de 2018 do Georgetown Institute for Women, Peace and Security (GIWPS), que analisou 153 países, o Brasil foi classificado na 82ª posição como um dos piores países para mulheres nos quesitos de inclusão, justiça e segurança, depois de Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Panamá, Peru, México, El Salvador e Venezuela. De acordo com o estudo, os melhores países para mulheres são Islândia, Noruega, Suíça, Eslovênia, Espanha, Finlândia, Canadá, Holanda, Suécia, Bélgica, entre outros.

Essa discussão toda me fez pensar na segurança da mulher em geral, inclusive durante nossos passeios por aí. A realidade é que viajar sozinha é maravilhoso, mas pode não ser tão seguro, dependendo das circunstâncias. Às vezes, uma simples trilha acaba se tornando uma dor de cabeça. Você pode estar no país mais seguro do mundo, mas se não conhece muito bem o lugar e não confia no guia, é bom se planejar melhor antes de encarar os riscos.

Neste meu texto de estreia no Mundo Logout, é muito triste ter que escrever sobre algo tão arcaico em pleno 2019. Mas, infelizmente, quando a falta de respeito à mulher impera, é sempre bom discutirmos e alertarmos umas às outras.

Não que você tenha que desistir de continuar viajando livre, leve e solta. Nem tudo é paranoia, claro. Mas, se você é viajante iniciante como eu, leve em consideração alguns macetes para se sentir mais segura nas próximas vezes que pensar em sair da sua zona de conforto.

Quer saber mais? Confira minhas 9 dicas para viajar sozinha.

Tags

sobre o autor