Por proteção, rinocerontes e elefantes recebem “chifres cor de rosa”

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O que é um ponto rosa no meio da savana? O enunciado pode parecer o começo de uma piada sem graça, mas não é. Nos últimos meses, fotos de rinocerontes e elefantes com seus chifres e presas tingidos com a cor rosa inundaram as redes sociais. Apesar de terem sido editadas digitalmente, essas fotos representam um procedimento drástico adotado por alguns parques e reservas da África do Sul para proteger esses animais, em meados de 2013. Antes de tirar conclusões precipitadas, é preciso esclarecer que, apesar das fotos, não existem evidências de que tingiram presas de elefantes. Nesse caso, a situação se aplica aos rinocerontes especificamente

Segundo a ONG Save the Rhino, a caça ilegal de rinocerontes exterminou mais de 1000 rinocerontes por ano entre 2013 e 2015. Existem cinco espécies de rinocerontes e a África do Sul detém 80% da população destes animais, principalmente por concentrar rinocerontes brancos, os mais numerosos. Já o rinoceronte-de-java e o rinoceronte-de-sumatra estão à beira da extinção, cada um com menos de 80 indivíduos.

Mercado consumidor

Mas diante dessa tragédia ambiental, é possível que esse comércio ilegal ainda encontre tantos compradores? A resposta é sim. Por uma questão cultural, a medicina milenar oriental é uma tradição em países asiáticos e acreditam que ele tem propriedades curativas.

Há mais de 2 mil anos, os chifres são utilizado para tratar febre, reumatismo, gota e outras doenças. Para piorar, há quem acredite que o chifre de rinoceronte é afrodisíaco, o que levou ao aumento do consumo em vários países, como o Vietnã. Porém, não existe comprovação científica da eficiência medicinal, ou sexual, dos chifres.

É bem diferente do marfim do elefante, que tem uso decorativo. O chifre do rinoceronte é formado por queratina e uma composição química particularmente complexa, com grandes quantidades de aminoácidos contendo enxofre, cisteína, tirosina, histidina, lisina e arginina, além de sais de carbonato de cálcio e fosfato de cálcio.

Uma medida desesperada

Foi diante dessa situação de chacina e pouca atividade governamental que os trabalhadores da Reserva Dinokeng, em Gauteng, na África do Sul, decidiram tomar uma providência. A iniciativa consiste em injetar uma mistura de corante e substâncias tóxicas no chifre do animal. O objetivo é que, após a caça, o material se torne inutilizável.

Ao contrário do que se viu nas redes, o corante é inserido na parte interna do chifre e não fica aparente, cuidado necessário para não interferir na camuflagem dos animais. Além disso, a tinta pode ser detectada pelos scanners dos aeroportos, mesmo se o chifre já tiver sido transformado em pó.

Apesar da boa intenção, a prática não é uma unanimidade pelos especialistas. Um dos principais pontos levantados é a relação entre a real eficácia e o preço da ação uma vez que é necessária uma equipe capacitada para sedar e aplicar componente nos chifres.

Discutir se a medida é ou não benéfica cabe aos especialistas. A nós, só resta lamentar que sejam necessárias medidas tão radicais para evitar uma chacina dessas espécies.

Atualização: Entramos em contato com a Reserva Dinokeng em abril de 2019 para saber se este método continua sendo utilizado e quais os resultados dele, mas nossas perguntas não foram respondidas.

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