Turismo sustentável e a arte de viajar sem deixar rastros

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Um visitante inconveniente é o pesadelo de qualquer anfitrião. Sabe aquele tipo de pessoa sem educação, que não respeita nosso lar, nossa privacidade, que adora bisbilhotar nossas coisas e ainda nos dá prejuízos? Isso é mesmo muito desagradável.

Quando a visita é ao meio ambiente, precisamos tomar ainda mais cuidado. Afinal, não é só porque não fazemos parte de um povoado que podemos ser turistas negligentes e antiéticos, deixando rastros de destruição por onde passamos.

O turismo sustentável foi criado justamente para evitar esse tipo de situação. Ele une a hospitalidade do turismo tradicional ao respeito à natureza e às comunidades. O bacana é que essa prática fortalece as economias locais de um jeito eco friendly. Assim, todo mundo sai ganhando.

Um verdadeiro turista sustentável causa o mínimo de danos ambientais possíveis. Mas não pense que esse cuidado é um desafio e exige sacrifícios. Na verdade, com hábitos simples, é perfeitamente possível preservar os patrimônios naturais e culturais durante nossas viagens por aí. Confira alguns deles:

Da natureza nada se tira

“Da natureza nada se tira além de fotos, nada se deixa além de pegadas e nada se leva além de lembranças”. Por mais clichê que seja, essa frase é a mais pura verdade. Às vezes, é normal pensarmos que levar uma pedrinha para casa de recordação não fará a menor diferença, mas é aí que mora o problema. O destino onde estamos provavelmente recebe milhares de pessoas todos os anos. Já pensou se todo mundo resolve pegar uma concha ou levar uma muda de planta para a mãe?

Nossos atos causam impactos coletivos, e não individuais. Pense nisso.

Levar uma pedra não vai fazer diferença? Imagine se todos os visitantes pensarem isso

Deixe apenas as pegadas

Tão importante quanto não tirar nada do lugar é não deixar “presentes”. Isso se aplica ao lixo tradicional, claro, e também ao orgânico, que muitas vezes parece inofensivo, mas não é.

Absolutamente todo resíduo deve ser levado de volta. Se você comer um pêssego, por exemplo, carregue o caroço até encontrar um lixo. Mesmo que sua intenção seja ajudar o reflorestamento, jogar o caroço no chão não é ecologicamente correto. O fato é que não sabemos se essa é uma espécie nativa, se pode prejudicar a fauna local, causar um desequilíbrio ambiental, entre outros fatores.

Para se ter uma noção, durante travessias longas é normal carregar até as fezes no caminho de volta.

Se não pode entrar, não entre

Não invada reservas ecológicas e territórios de visitação proibida. Por mais bonitos e convidativos que sejam, muitos deles são fechados. A medida mantém a conservação dos ecossistemas locais e poupa os turistas desinformados das áreas de risco.

Alguns desses lugares só permitem visitas com guias credenciados ou com a autorização e acompanhamento do IBAMA, mediante o pagamento de taxas de preservação. Não tente burlar as normas. Isso pode causar sérios danos ao meio ambiente ou, pior ainda, deixar sua vida por um fio.

Prefira a baixa temporada

Só pela economia, fugir da alta temporada já é um atrativo e tanto. Mas, se considerarmos o impacto ambiental, essa atitude fica ainda mais interessante. Quando há muitas pessoas no mesmo lugar, a interferência no cenário natural é maior. Por isso, quem visita em períodos menos concorridos também está ajudando a diminuir o volume de turistas nos dias de pico. Sem falar que dá para curtir um passeio bem mais tranquilo.

Quanto mais turistas no mesmo lugar, maior é o impacto ambiental

Não incentive práticas questionáveis

Fuja de atrações e locais que promovam condições desumanas de trabalho, extração abusiva de recursos naturais e maus-tratos aos animais. Por mais que eles sejam legalizados ou sua curiosidade implore por uma visita, risque-os de seu roteiro.

Infelizmente, é comum ver animais fazendo truques ou servindo de transporte em alguns destinos de ecoturismo. Isso pode parecer inofensivo, mas não sabemos o que aquelas espécies sofreram para serem condicionadas a tais práticas.

Diminua sua produção de lixo

Hidratação é fundamental, mas comprar garrafas d’água aumenta o lixo produzido. Então, abasteça sua squeeze em casa ou na acomodação. Muitas hospedagens têm filtros que você pode usar. Além disso, informe-se sobre bicas e fontes naturais na região para economizar e não descartar pets.

Essa dica se aplica a várias outras situações. Basta prestar atenção para encontrar outras formas de diminuir seu descarte. Se a coleta seletiva não for tão facilitada, nada mais justo que fazer sua parte, por menor que seja.

Conheça e respeite outras culturas

Viajar é entrar em contato com novas culturas. Por isso, valorize e respeite a história, tradições e crenças locais. Elas são parte da identidade de um povo. Ao visitar patrimônios históricos e santuários, seja educado. Nunca tire fotos ou toque objetos sem permissão. Mesmo que seus pontos de vista sejam diferentes, você escolheu visitá-los e deve cooperar. Aproveite, pois essa é uma ótima oportunidade de desenvolvimento pessoal.

A maior riqueza de uma viagem é entrar em contato com outra cultura, diferente da sua

Saiba onde comprar lembrancinhas

Por mais rústico que seja o local, sempre encontramos uma loja de artesanato e lembrancinhas da região. Se você gosta de levar presentes, compre sem medo. No entanto, escolha estabelecimentos que fomentam a cultura local. Muitas vezes, ao comprar em lojas bem equipadas, com uma produção quase que industrial, deixamos de ajudar um verdadeiro artesão. O preço pode não ser o mais competitivo, mas encare isso como uma forma de valorizar seu minucioso trabalho.

Escolha alimentos da época

Nem sempre é fácil saber os meses da colheita de cada alimento, mas vale a pena pesquisar. A produção de alimentos fora de seus ciclos naturais costuma trazer mais impactos ao meio ambiente do que a produção sazonal.

Se o produto for regional, melhor ainda. Além de ajudar a agricultura local, ele leva menos tempo para chegar a nossa mesa e queima menos combustível que os produtos vindos de fora.

Viu como fazer uma viagem sustentável não é nenhum bicho de sete cabeças? Claro que nem sempre é possível seguir tudo o que foi sugerido aqui, mas só o fato de tentar diminuir alguns aspectos contribui para reduzir os danos. Pode parecer pouco, mas se você fizer a sua parte e eu fizer a minha, já seremos dois turistas conscientes no mundo.

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