É hora de falar sobre fogueiras

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A semana começou com o Dia de São João e isso significa que as festas juninas estão no seu momento máximo. Nada melhor do que aproveitar a data para falar de um dos principais personagens dessa tradição que também costuma aparecer em acampamentos ao longo do ano todo: a fogueira.

Seja para se aquecer, espantar mosquitos ou até cozinhar, uma boa fogueira muitas vezes é vista como elemento fundamental para quem pensa em acampar. Todo mundo quer viver aquela experiência de reunir a galera ao redor da chama, enquanto assa marshmallows e escuta a melodia do violão. Uma cena linda que parece inofensiva, mas no mundo real, não é bem assim.

Para começo de conversa, e para jogar um balde de água fria na sua lenha, acender uma fogueira em áreas de proteção ambiental, como parques nacionais, estaduais ou municipais, é categoricamente proibido e tratado como crime ambiental. O artigo 43 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, inibe qualquer atividade capaz de “destruir ou danificar florestas ou demais formas de vegetação natural ou utilizá-las com infringência das normas de proteção em área considerada de preservação permanente, sem autorização do órgão competente”. Se aquele inofensivo foguinho originar algo que possa ser classificado com um incêndio em mata ou floresta, a pena pode chegar a quatro anos de reclusão, além do pagamento da multa.

Não é um exagero proibir fogueira?

Às vezes encontramos um lugar tão bom e seguro que parece até injusto não acender uma fogueira, não é verdade? Bem, na realidade não. Quem tem mais experiência no trato com o fogo ou encontra um lugar perfeito, pode se sentir a frustração, mas não devemos medir as regras pela nossa habilidade ou por circunstâncias pontuais. Liberar esse tipo de atividade significa que todas as pessoas poderiam se arriscar a acender uma chama, mesmo sem saber escolher um bom local ou sem ter a vivência. Nesse contexto, um pouquinho de lenha já pode resultar em uma tragédia.

Incêndio Florestal
Basta uma distração para perder o controle

Se você tem experiência no manejo com o fogo, provavelmente já conhece de perto os riscos. Por isso, não encare a proibição como frustração, ou pior, como uma brecha para quebrar as regras. Mesmo que dê tudo certo no seu acampamento, sua atitude pode servir de incentivo outras pessoas que, às vezes, não sabem nem apagar corretamente a brasa. Faça a sua parte.

Onde fazer uma fogueira?

Mas isso não significa necessariamente que você nunca vai acampar sem ter uma fogueira por perto para aquecer seu coração. Alguns campings e propriedades particulares permitem que seus usuários acendam seus fogos. Na maioria dos casos, há áreas específicas para isso, ou informações claras sobre a permissão.

Um dos lugares que encontrei essa situação foi no Sítio das Três Pedras, em Bofete. Quem acampa lá já tem alguns tambores metálicos cortados que servem justamente para o local da fogueira, diminuindo potencialmente o risco de acidentes.

Antes de começar os preparativos, procure se informar no local se é permitido ou não acender o seu fogo. Não encare os vestígios de outras fogueiras como autorização concedida. Muita gente acaba quebrando as regras e podem te levar a um equívoco. Na dúvida, é melhor não arriscar.

Tenho autorização, e agora?

Se você arrumou uma área de camping que permite a realização de fogueiras, então, provavelmente, é uma área de impacto reduzido, mas mesmo assim é preciso ter muito cuidado. Se o local não tem um ponto delimitado, sua primeira tarefa é escolher um bom lugar. Como princípio, procure por um ponto plano, seco e distante das árvores. Se você encontrar vestígios de outra chama, perfeito, utilize o mesmo local já que isso diminuirá o impacto no solo.

Uma vez escolhido o ponto, é importante fazer uma área de proteção para que as chamas não se alastrem. Entre as alternativas, é possível fazer uma “cerquinha” de pedras ao redor, cavar um pouco para provocar uma diferença de nível ou até mesmo molhar o entorno. Falando em água, tenha sempre uns baldes cheios na hora de lidar com o fogo. Dependendo do quadro, eles ajudam a conter chamas antes que saiam de controle.

Vale lembrar que escolher bem a lenha faz parte. Galhos secos e gravetos de aproximadamente um metro são boas alternativas. Além disso, aposte em um pouco de capim seco para ajudar a pegar fogo.

Existem várias disposições de lenha possíveis para uma fogueira dependendo do objetivo. Se a ideia é cozinhar, dois galhos mais grossos posicionados de maneira a formarem um ângulo (o lado aberto voltado para o vento) possibilita uma brasa adequada. Se a ideia é se aquecer, aquelas fogueiras cones, típicas de festas juninas, ou em formato de estrela (com vários galhos se unindo ao centro), resolvem.

Não se esqueça de avaliar a condição do vento. É ele que vai levar a fumaça e, caso a fogueira seja mal planejada, pode causar irritação nos olhos, intoxicação, ou na melhor das hipóteses, defumar a turma toda.

Tão importante quanto acender é saber apagar. Sim, antes de ir dormir, sair ou qualquer outra atividade, certifique-se de que o fogo está completamente extinto. Não deixe uma fagulha sequer para trás. Nesse período do ano, são essas atitudes imprudentes, como bitucas e pequenas brasas, que resultam em tantas queimadas.

Para concluir, vale ressaltar que toda fogueira sempre irá causar um impacto ambiental, seja no solo ou por meio da fumaça. Será que não é possível buscar uma alternativa, nem que seja um fogareiro mais moderno e que agrida menos? Já existem alguns modelos, como The Radiate Portable Campfire, que funciona como uma fogueira portátil (veja o vídeo abaixo).

Bem, não é do meu estilo ser categórico sobre como as pessoas devem agir. Acho que cada um tem a consciência própria para definir suas ações. Mas, nesse contexto, eu acredito na minha vó que sempre dizia que “quem mexe com fogo faz xixi na cama”.

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