Você precisa conhecer a Floresta Nacional de Ipanema

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Está decidido e não tem conversa! Você acabou de arrumar um passeio para o próximo fim de semana: a Floresta Nacional de Ipanema. Essa Unidade de Conservação fica pertinho de São Paulo e é perfeita para um bate-volta se você gosta de contato com a natureza e muita história.

E digo mais, se você tem aquela mountain bike encostada, trate de amarrar a magrela ao carro e convidá-la para um passeio. Algumas das trilhas autoguiadas superam os 10 km de extensão e fazem a alegria dos ciclistas de aventura. Haja fôlego na subida, admito, mas o passeio compensa.

Quer saber mais sobre a Floresta Nacional de Ipanema? Então segura esse textão recheado de fotos.

Um bem-vindo histórico

Não precisa nem descer do carro para já conhecer um dos pontos mais interessantes da Flona de Ipanema. As ruínas da Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, que começou a operação em 1810 a mando de D. João VI, são o cartão de visitas para turistas. Para quem gosta de acabamento de tijolo aparente, tem que fazer parada obrigatória nos altos fornos geminados, na estrutura da Usina de Refino, no alto Forno de Mursa e na imponente Casa da Armas Brancas. Uma verdadeira viagem arquitetônica pela história do Brasil.

O cenário é tão pitoresco – sim, essa é a palavra – que costuma ser escolhido como local para realização de ensaios fotográficos. São tantas grávidas, noivos e debutantes acompanhados de seus fotógrafos que é até difícil andar pelo centro histórico sem fazer uma participação especial no álbum alheio.

Mas não são apenas as imponentes construções do Século XIX que marcam a história da siderurgia do local. Na verdade, as primeiras tentativas da produção de ferro aos pés da Serra de Araçoiaba aconteceram pelas mãos do sertanista Afonso Sardinha, em 1589. A expedição resultou na construção de duas forjas reconhecidas pela Associação Mundial dos Produtores de Aço como a primeira tentativa de fabricação de ferro em solo americano.  

A presença do sertanista na região foi tão importante que a trilha que passa pelos vestígios das forjas acabou recebendo seu nome como uma homenagem.

Falando nelas, conheça as trilhas da Floresta Nacional de Ipanema

O Centro Histórico é tão interessante, que muito visitante se contenta só com ele. Mas quem busca aproveitar o máximo do local não pode deixar de encarar pelo menos uma das trilhas.

Existem duas formas diferentes de conhecer a flora e fauna da reserva ambiental. A primeira é se aventurando pelas trilhas autoguiadas que são claramente delimitadas, ou pelos caminhos na terra ou na grama constantemente aparada. O critério de dificuldade sugerido varia mais de acordo com a extensão do que com a presença de obstáculos.

As trilhas recebem nomes e cores diferentes:

  • Verde – ACADEBio, de 5km
  • Azul – Dos Jequitibás, de 10 km
  • Branco – Rio Ipanema, de 15 km
  • Amarela – Morro Araçoiaba, de 20 km

Como as trilhas são bem abertas, muitos ciclistas, e até corredores, usam os caminhos para a prática esportiva sem grandes adversidades. Quem encara as duas maiores, do Rio Ipanema e Morro do Araçoiaba, consegue chegar até um dos pontos mais importantes da Flona, o mirante e Monumento a Varnhagen, construído no alto do morro Araçoiaba em 1878, em homenagem ao historiador Francisco Adolfo de Varnhagen.

Além delas, é possível fazer trajetos por dentro da mata. A Trilha Afonso Sardinha, de 5779 metros, tem um trecho de carro até o Monumento Varnhagen e depois segue para as ruínas das antigas forjas, em um percurso de aproximadamente uma hora. Já a Trilha da Pedra Santa, de 5753 metros, tem duração aproximada de três horas e passa pela gruta onde viveu o monge Giovanni d’Augustini, além de um mirante, terminando no monumento.

Ambas trilhas passam por áreas remanescentes de Mata Atlântica, mas a Pedra Santa também é marcada por rochas sedimentares que formam obstáculos de dificuldade média. Uma boa opção para aumentar o grau de aventura do passeio.

Como essas trilhas têm acompanhamento de guias, não estão inclusas no ingresso da reserva, que custa R$ 9. Se você se interessar por uma delas, basta conversar com um guia no Centro de Visitantes, onde há um quadro explicativo de cada trajeto, e pedir para participar do próximo grupo. A Trilha Afonso Sardinha sai por R$70 o grupo, já a Pedra Santa, R$ 90. Em um grupo com 10 pessoas, por exemplo, o valor não dá nem R$ 10 para cada.

Pensa que acabou? O paredão da serra também é um bom lugar para praticantes de escaladas. Inclusive, tem um trajeto especial com várias opções para a prática do esporte. Já se a sua ideia é acampar, também há uma área específica, mas também é necessário o acompanhamento de um guia e o valor para o grupo pode ser negociado diretamente com o profissional.

Mas quando a proposta é passar um tempo tranquilo em família, a reserva também consegue agradar e conta com quiosques para piquenique na beira do lago, além de um restaurante no Centro de visitantes.

Floresta Nacional de Ipanema: como chegar?

Agora que você está empolgado para conhecer, só faltava descobrir que é pertinho de casa. A Floresta Nacional de Ipanema fica entre os municípios de Sorocaba e Iperó, cerca de 120 km da capital. Para chegar lá, é possível fazer o caminho pela Rodovia Castelo Branco, acesso no km 99B (caminho que eu fiz), ou pela Rodovia Raposo Tavares, no km 112. Com o uso do GPS, não tem erro.

O trajeto conta com um trecho de terra na parte final, mas nada que recomende uma atenção especial. Na verdade, é só escolher um bom dia e levar a disposição no porta-malas para tentar aproveitar ao máximo.

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