Você mais perto de Deus no Morro do Saboó

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Desde que Moisés subiu ao topo do Monte Sinai para conversar com Deus e receber as Tábuas da Lei, cumes de morros e montanhas se tornaram verdadeiros pontos de peregrinação religiosa. O motivo é simples: normalmente, os picos são lugares isolados e, literalmente, mais próximos do céu. Ou seja, são os melhores lugares para se conectar com o Criador. Nesse contexto, o Morro do Saboó, em São Roque (SP), caiu nas graças de muitos religiosos.

Também conhecido como Monte São Roque, o Morro do Saboó tem atraído fiéis de várias cidades, em busca de bênçãos e orações. Sua popularidade é tanta que as próprias igrejas organizam verdadeiras excursões para ouvir a Palavra no topo do monte. Mas, antes de escolher o melhor versículo, que tal conhecer um pouco sobre o local?  

Fiéis se reúnem para orar no topo do morro

Saboó e seu significado

Entre tantos morros, picos e montanhas, porque justamente o Saboó tem atraído a atenção dos religiosos? Essa não é uma pergunta fácil de ser respondida com exatidão, mas alguns elementos nos ajudam a entender os motivos.

Primeiro, talvez, é preciso compreender as características do morro. Por sua formação geológica em quartzo, o Morro do Saboó não favorece o crescimento de árvores ou arbustos, dando lugar a uma vegetação predominantemente rasteira. É daí que vem o nome saboó, que, em tupi-guarani, significa “morro pelado”. Mais importante do que o nome, essa característica é fundamental tanto para facilitar o acesso ao cume quanto para garantir a vista panorâmica de quem chega ao topo.

Falando em vista, o morro tem 1.090 metros de altitude e é considerado um dos pontos mais altos da região. Ao chegar lá, a sensação é de isolamento, acima dos outros locais. Em um dia de boa visibilidade, é possível ver as cidades de Sorocaba, Mairinque, Itu, Araçoiaba da Serra e, claro, São Roque.

A vista no topo do Morro do Saboó faz toda a trilha valer a pena

Porém, o fator que mais contribuiu para esse turismo religioso foram os relatos dos fiéis. O Morro do Saboó ganhou notoriedade quando o pastor Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, divulgou uma de suas expedições ao local. A partir daí, é fácil encontrar pessoas que foram agraciadas após subirem o morro.

Na lanchonete, antes de começar a subida, é possível ouvir alguns dos testemunhos mais impactantes, como a cura de doenças e os mais diversos milagres.  

Como subir?

Mas, de nada adianta falar de bênção e não mostrar, ao pé da letra, o caminho das pedras. O Morro do Saboó está localizado dentro de três propriedades particulares e é aberto ao público gratuitamente. Uma rota simples para quem vem pela Rodovia Castello Branco é usar o acesso 54B, sentido São Roque, para pegar a Estrada Turística do Morro do Saboó, na entrada à direita no único trecho sinuoso.

A partir daí, é preciso seguir até o fim do asfalto e acompanhar as pequenas sinalizações. O primeiro trecho da subida pode ser feito de carro, mas, como a estrada não é pavimentada, muita atenção com valetas e buracos. Passando o portão de entrada do Sítio Serrano, logo após a lanchonete, você encontra uma área de estacionamento gratuita e pode começar a caminhada.

A trilha que segue até o topo é bem demarcada e não exige nenhum tipo de técnica de escalada. Claro que o preparo físico pode deixar o caminho mais ou menos agradável. Em mais ou menos 30 minutos de subida, parando para descansar, é possível chegar ao ponto mais alto, mas isso depende da disposição de cada um. Não se esqueça de levar água, frutas e protetor solar. Como a região é utilizada para criação de gado, um pouco de repelente pode fazer a diferença contra carrapatos.

Muitos religiosos têm o costume de usar roupas sociais, saias longas, sapatos mocassim ou sapatilhas, mas isso não é o recomendado. Se a sua fé permite algo mais confortável, como calça e tênis, essa é uma boa escolha. A trilha sofre constantemente com a erosão e tem muitas pedras soltas. Eu mesmo já presenciei senhoras levando tombos sérios no meio do trajeto. Não sei se adianta buscar uma bênção e voltar com uma lesão no tornozelo.

Trecho final da subida conta com pedras soltas e irregulares

De qualquer modo, a dificuldade da trilha também tem seu significado religioso, cumprindo o papel de penitência e esforço para chegar mais próximo do Divino. Segundo os fiéis, quem não consegue cumprir o caminho é porque talvez ainda não esteja no momento de chegar ao topo.

No cume do Morro do Saboó

Mas se você conseguiu vencer as adversidades, a conquista do Morro do Saboó vale a pena. Desfrutar da paisagem da região é um verdadeiro prazer. Independentemente da religião, é difícil não se admirar com os requintes e detalhes da natureza.

Como muitas igrejas fazem excursões para lá, é difícil encontrar a solidão no alto do morro. Vários grupos de fiéis se reúnem em rodas para rezar e estudar a Bíblia. Alguns, inclusive, passam a noite acampados em vigília, montando suas barracas no local.

Para quem é menos religioso, como eu, é possível procurar locais mais afastados ou até seguir uma trilha para o morro mais próximo, porém, não tão alto. Mas o que me surpreendeu foi a energia e receptividade das pessoas. Apesar de termos crenças distintas, estávamos todos contemplando a paisagem, num verdadeiro clima de fraternidade. Lá em cima, o respeito à natureza e ao próximo se sobrepõe às nossas crenças pessoais, como deveria ser em todos os lugares.  

Logo percebi que essa sensação talvez fosse a minha bênção, e realmente valeu a pena. Desci de lá um pouco mais otimista em relação ao ser humano. Ainda não sei dizer se a fé move montanhas. Mas, com certeza, ela nos faz subir em uma.

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