Um passeio de bike pela Estrada Parque de Itu

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Desde o começo do Mundo Logout, sempre tive vontade de fazer um passeio de bike. Sim, eu, um típico ciclista de Parque Villa Lobos, que já desiste na segunda volta, queria porque queria colocar a magrela no carro, encontrar um local interessante e pedalar até amolecer as pernas. Eis que meu próprio pai me sugeriu um roteiro: a Estrada Parque de Itu, um trajeto histórico asfaltado que segue as curvas do Rio Tietê da região.

Antes de me aventurar na estrada escolhida para meu debute, como bom paulistano, eu já tinha passado pela experiência de pedalar às margens de um rio, naquela famosa ciclovia do Rio Pinheiros. Quando a gente pensa no Rio Tietê, claro que a primeira imagem que vem à cabeça é algo parecido. Pode ser o mesmo rio, mas o cenário é completamente diferente!

A Estrada Parque de Itu

Se você nunca ouviu falar nesse lugar, não se preocupe. A Estrada Parque de Itu é, na verdade, um trecho da Rodovia dos Romeiros, que vai de Itu até Barueri, passando por Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba. Ainda hoje, esse trajeto é utilizado pelas romarias de fiéis que seguem até o Santuário do Senhor Bom Jesus de Pirapora.

Além dos religiosos, a estrada também chama a atenção de ciclistas e motociclistas que costumam passear por ali, principalmente no trecho entre Itu e Cabreúva. Com aproximadamente 15 kms, esse pedaço é considerado um dos mais belos graças às paisagens fornecidas pelo rio e pelos resquícios de Mata Atlântica. Foi ali, bem no portal de entrada da estrada, em Itu, que eu montei na minha bicicleta e comecei o passeio.

Um passeio pela Estrada Parque de Itu

Conhecendo a estrada parque

Logo nas primeiras pedaladas você já entende a graça de pedalar por ali. Apesar de ser uma estrada, o que significa que há veículos de todo tipo – e isso requer atenção, os motoristas sabem que ali é uma “estrada parque” e que não faltam pessoas passeando. Então quem entra nesse caminho já está preparado e com toda a paciência para desviar dos ciclistas, que são muitos. Mas muitos mesmo. Toda hora passa um grupinho treinando sério que, ao me cumprimentar, me fazia esquecer que eu era apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem roupas apropriadas e com uma bike bem razoável. E daí? Eu era parte deles agora!

Os primeiros três quilômetros são bem tranquilos. Dá para pedalar em um bom ritmo já que o relevo é praticamente plano. A primeira parada é a barragem da Usina de São Pedro, construída em 1911 para alimentar a energia das tecelagens da região. A construção faz lembrar o valor histórico desse local. Para se ter uma ideia, a estrada foi criada ainda na década de 1920, sendo uma das primeiras asfaltadas do Brasil.

Um passeio pela Estrada Parque de Itu

Mas a animação com a memória da região passa logo. Os próximos 1,5 kms são de subida com uma elevação de 55 metros. Agora me lembrei que não faço parte dos ciclistas de elite e toca empurrar a bike até lá o topo.

Todo o sacrifício é recompensado. Ao chegar lá em cima, está a entrada para a Fazenda do Chocolate. Como o nome já diz, é uma fazenda da época do Brasil colonial, que de tão bem cuidada já foi até cenário de novelas! Além da produção artesanal de chocolate, o local tem diversas atrações, como passeios a cavalo ou trenzinho, loja de artesanato, loja de tapetes, cafeteria e restaurante de comida caipira. O destaque são os animais típicos de um sítio que encantam os visitantes mais acostumados com a vida urbana. Um passeio bem interessante para quem quer dar aquela escapada e, o melhor, com entrada gratuita.

Uma barrinha de chocolate da fazenda é suficiente para repor as energias e voltar aos pedais. Aqui vai uma boa notícia: o trecho seguinte é de descida, ideal para recuperar a autoestima e sentir a brisa no rosto. A temperatura pode ficar um pouco mais fria por conta da umidade da Mata Atlântica bem presente nesse pedaço.  

Depois de vencido o trecho de serra, a estrada volta a ficar predominantemente plana e bem próxima ao rio. É normal encontrar áreas de recuos com estacionamentos e quiosques que viram ponto de parada para os turistas. Neles, música animada e churrasquinho são garantidos. Em alguns pontos, também há bancos de concreto perfeitos para sentar e apreciar a vista do rio.

Do outro lado da estrada, os mais curiosos podem desbravar algumas grutas existentes entre as pedras. Uma delas é a Gruta da Glória (5 km da Fazenda do Chocolate), onde é possível subir até um pequeno mirante por uma escadinha estreita. Infelizmente, o lugar dá sinais de abandono, como trecho ausente do corrimão, lixo espalhado, entre outros. Quem não quiser perder o embalo, talvez nem valha a pena parar por aqui.

Da gruta são aproximadamente mais seis quilômetros até Cabreúva. No trecho final, a estrada se distancia um pouco do leito do rio e a paisagem fica mais aberta. Em um dia de muito sol, o calor pode prejudicar um pouco o passeio. Mas assim que você pensar em cansar, já estará em Cabreúva.

Claro que dá para seguir em frente pela Estrada dos Romeiros e ir até Pirapora do Bom Jesus. Mas vale lembrar que são mais 24 km e uma elevação de 412 metros. Bem, o bom senso e minhas pernas preferiram ficar por aqui, mas quem sabe um dia? Assim que eu me esquecer desse desconforto causado pelo selim, talvez até pense nisso. Mas hoje, definitivamente não.

Um passeio pela Estrada Parque de Itu

Perguntas e respostas

Exige muito preparo físico?

Bem, são 15 kms com algumas subidas e descidas. Para quem é completamente sedentário, o passeio pode ser complicado. Mas, quem está mais disposto, frequenta academia, pedala no parque, não é nenhum bicho de sete cabeças. As paradas têm uma boa distância entre elas e ajudam a descansar.

O rio é poluído?

Infelizmente, sim. Na verdade, na foto da usina é possível ver aquelas espumas de poluição. Porém, o odor não é tão forte como na Marginal Tietê, em São Paulo. Uma vez ou outra é possível sentir um cheirinho, mas nada que prejudique o passeio. A região, inclusive, é o ponto onde o rio começa a revitalização, ou seja, o nível de oxigênio da água tende a melhorar de Cabreúva para frente.

Dá para comprar coisas no caminho?

Sim, na Fazenda do Chocolate e nos quiosques próximos à Gruta é possível reabastecer seus mantimentos. Mas como o passeio dura mais ou menos duas horas, nem sempre é necessário.

Dá para fazer com criança?

Olha, não há grandes riscos em pedalar ali. A maior dificuldade ainda é o esforço físico. Isso varia de acordo com a criança.

Como foi a logística?

Admito que eu planejo tudo pela metade na esperança de contar com a sorte. Nesse caso, contei. Consegui chamar um Uber em Cabreúva que me levou até o carro em Itu (deixei a Taty e as bikes me esperando). Quem puder contar com um apoio nessa hora, pode ser interessante, ou encarar o caminho de volta.

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