Tudo o que você precisa saber sobre a Caverna do Diabo

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Antes de começar a ler, levante e corra até o local em que sua família guarda as fotos antigas da época dos rolos de filmes. Não deve demorar muito para encontrar um daqueles mini álbuns com uma excursão para a Caverna do Diabo. Achou? Muito bem! Toda casa de respeito deve ter pelo menos um desse, tamanha era a popularidade desse ponto turístico lá pelas décadas de 80 e 90.

Segundo os próprios guias do local, no passado era possível receber mais de 5 mil pessoas em um único fim de semana. Hoje, nem dá para imaginar isso. Ao mesmo tempo em que as redes sociais crescem e acirram a luta por um bom cenário no Instagram, um dos principais pontos turísticos do Estado de São Paulo tem dificuldade para chegar a 150 visitantes por dia.

Mas será que nosso consumo mudou ou a caverna realmente deixou de ser atraente? A melhor maneira de responder essa questão é vendo com os próprios olhos. Se você também está com essa curiosidade, então aproveita porque fomos até lá e montamos esse guia especial com tudo o que você precisa saber para preparar a sua visita a esse “clássico cult” do ecoturismo nacional.

O que é a Caverna do Diabo?

Antes de mais nada, vamos falar um pouco sobre esse nome que causa arrepios nos mais religiosos. A Caverna do Diabo, na verdade, é o nome popular da Gruta da Tapagem. Quando ela foi explorada pelo naturalista alemão Richard Krone, em 1886, os indígenas da região acreditavam que as formações rochosas no seu interior eram humanos e animais petrificados. Já os quilombolas afirmavam ouvir gritos vindo da caverna. Assim, criava-se a lenda de que o Diabo em pessoa morava ali dentro.

Até hoje, com mais de 6237 metros de galerias topografadas, não foi encontrado nenhum tipo de demônio no local, mas o nome acabou ficando popular entre os visitantes. O resultado é um diabinho de sunga branca que nos recebe logo no estacionamento do parque. Sim, parece que sunga branca é definitivamente coisa do capeta.

Como chegar?

A Gruta da Tapagem faz parte do Parque Estadual Caverna do Diabo, localizado no município de Eldorado, já próximo da divisa de São Paulo com o Paraná. Essa região, denominada Vale do Ribeira, é uma das principais províncias espeleológicas do Brasil, com mais 400 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeologia (SBE), além de uma importante reserva de Mata Atlântica.

Vindo de São Paulo ou Curitiba, o caminho mais simples é pela BR-116 (Rodovia Régis Bittencourt), até a cidade de Jacupiranga. Dali, são 30 km pela SP-193 até Eldorado e mais 45 km até a entrada da caverna (SP-165). Todo o trajeto é bem sinalizado e não necessita o uso de GPS. Porém, esse último trecho entre Eldorado e o parque sofre com a precariedade do asfalto. A licitação para as obras de recapeamento dessas duas estradas está prevista para junho de 2019, mas até elas ficarem prontas, o melhor é marcar o passeio antes da revisão do carro, já que você vai precisar apertar alguns parafusos.

Apesar de a viagem ser de 290 km, se partindo de São Paulo, a expectativa de duração é por volta de quatro horas. Isso acontece principalmente pelos trechos da Serra do Cafezal, na Régis, e as estradas de mão dupla que podem atrasar um pouco. De qualquer modo, é possível fazer um bate-volta.

O parque

O Parque Estadual da Caverna do Diabo tem mais de 40 mil hectares e, junto com outras 13 unidades de conservação, compõe o Mosaico de Jacupiranga. Para acessar a área de visitas, é necessário pagar R$ 15 por pessoa, valor correspondente ao ingresso do parque. Crianças até 12 anos, idosos e professores da rede pública são isentos, já estudante pagam meia.

Porém, para entrar na caverna, é obrigatório o acompanhamento de um guia do local e, para isso, deve-se pagar mais R$ 15 por pessoa com mais de sete anos de idade. Isso acontece porque esse é um serviço autônomo prestado pela Associação dos Monitores Ambientais do Município de Eldorado que conta com 30 guias cadastrados. Todo o dinheiro é somado e dividido igualmente entre eles, que ficam responsáveis pela limpeza e manutenção do parque. Como o local é bem isolado no meio da mata, o ideal é levar dinheiro em espécie.

O complexo conta com um centro de visitantes, com várias informações sobre ecologia e a caverna, banheiros, restaurante, além de duas trilhas, um mirante e três quedas d’água.

Finalmente, a Caverna do Diabo

Depois de quatro horas de viagem, pagar a entrada, conhecer o seu guia, está na hora de entrar na famosa Caverna do Diabo. Uma trilha curta de paralelepípedo leva o visitante até um paredão de 80 metros de altura. Abaixo dele, uma escada desce rumo ao escuro. Bastam alguns degraus para você compreender uma coisa: valeu a pena!

Dos 6237 metros, nós, meros visitantes, só podemos conhecer 600. Por conta da dificuldade e risco, trajeto completo pela caverna até a insurgência só é feito por especialistas e estudiosos. Mas os 600 metros liberados são suficientes. Logo no primeiro salão, percebemos a magnitude do local esculpido pelas águas por mais de 2 milhões de anos.

Mas não é para ficar apenas no primeiro e sim, subir as escadas para conhecer as outras paisagens. Alguns dos salões chegam a 70 metros de altura repletos de estalagmites, estalactites e colunas calcárias. Com a lanterna, o guia mostra alguns detalhes geológicos e formas peculiares, como a mão de Diabo, mão de Deus, e até o Papa.

Todo o trajeto disponível da caverna conta com uma plataforma de alvenaria para os visitantes. Na época de sua construção, os investimentos tinham como objetivo facilitar a acessibilidade dos turistas e não existia a preocupação com os impactos ambientais. Se por um lado as plataformas agrediram o meio ambiente, hoje elas permitem que a visita seja facilmente realizada por crianças devido ao nível de dificuldade reduzido. Claro que por ser um local escuro e extremamente úmido, é preciso ficar atento aos degraus, mas nada que gere uma preocupação extra.

As lâmpadas instaladas ajudam aos turistas na hora de admirar as texturas e formas da caverna. É preciso dedicar tempo a cada um dos salões, como a Catedral e o Salão das Agulhas. O passeio guiado tem uma duração média de 1h30 e é tempo suficiente para marcar esse local na memória. Ao sair, é até estranho sentir o calor abafado do exterior depois de tanto tempo em um lugar escuro e fresquinho. Bem, se o Diabo um dia morou ali, isso só prova que ele tem um ótimo gosto para móveis.

Ficou animado para conhecer a Caverna do Diabo? Então pode planejar sua viagem. O parque fica aberto de terça a domingo, das 8h às 17h. No período de férias (segunda quinzena de dezembro, janeiro e julho) e feriados, o parque também abre às segundas-feiras. Se você já conheceu, não deixe de contar a sua impressão nos comentários!

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