Trilha para Praia do Sono: o que é bom saber

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Depois de um cinzento e depressivo inverno, que desmotivava qualquer tentativa de sair para uma aventura, o sol finalmente deu as caras durante a semana. Nada mais justo do que atender a esse chamado e retomar a rotina de trilhas. Em homenagem a esse verão que se aproxima, decidi procurar um trajeto que me levasse a uma praia memorável. Assim, arrumei a mochila e extrapolei as divisas do estado para um fim de semana em Paraty, mais precisamente na Praia do Sono.

Se você ainda não conhece, Paraty é uma cidade no sul do Estado do Rio de Janeiro, bem próxima da divisa com São Paulo, que recebeu esse ano o título de Patrimônio Cultural e Natural Mundial pela UNESCO. Além do centro histórico de Paraty, marcado pelas coloniais casinhas brancas com janelas e portas coloridas, o cinturão de mata nativa de quase 150 mil hectares que envolve a região foi um dos diferenciais para a conquista dessa reputação. E é bem ali, na área da Reserva Ecológica Estadual da Juatinga que está algumas das praias mais encantadoras, como a Praia do Sono, Antigos, Antiguinhos, e muitas outras.

Como chegar à Praia do Sono

Existem duas maneiras de chegar até a Praia do Sono. Uma delas é pegando um barco motorizado que sai do cais do Condomínio Laranjeiras. Como não é permitido aos turistas atravessarem o condomínio a pé, é preciso pegar uma van gratuita que leva os visitantes da Vila Oratório até o local de embarque e lá pagar ao barqueiro para a travessia. O trajeto dura 15 minutos e pode custar entre R$25 e R$35 por pessoa em um fim de semana comum (de setembro, no caso).

A segunda opção – e um pouco mais aventureira, é encarar a trilha de 3,5 km que liga a mesma vila até a praia. Por R$25 a diária, é possível deixar o carro estacionado próximo ao acesso do trajeto. Como a motivação é fundamental para a disposição, uma ideia é arriscar o caminho pela trilha pelo menos na ida. Caso seja muito traumático, você já vai ter a opção de voltar de barco engatilhada (vale ressaltar que na alta temporada e feriados, é comum a disputa pelos barcos e vans ficar acirrada, podendo causar algumas horas de espera).

Claro que eu não sou homem de fugir de uma boa trilha, então deixei o carro estacionado bem na entradinha , peguei a mochila e parti cheio de energia.

Como é a trilha para a Praia do Sono

Se você já pesquisou um pouco sobre esse local, deve ter percebido que tem todo o tipo de opinião. Alguns acham moleza, outros querem morrer no caminho. Realmente, esse é um ponto complicado de avaliar. Então, vamos aos dados técnicos para auxiliar nessa decisão. O caminho tem 3,5 km de extensão, o que, convenhamos, não é muito. Porém, há pelo menos dois trechos notáveis de subidas e dois de descidas, além das tranquilas áreas mais planas. Para ajudar na conquista dos desníveis, toda a trilha conta com degraus de madeira com terra batida e, em alguns pontos, providenciais corrimãos.

Com isso claro, é preciso analisar três pontos importantes para definir o nível de dificuldade. Primeiro, o histórico de umidade. Se você resolver ir em uma semana que não tenha chovido, o caminho tem tudo para ser bem mais tranquilo. Agora, se choveu durante a semana (ou pior, na noite anterior), a lama vai tomar conta do passeio e sua caminhada pode parecer um episódio do antigo quadro Olimpíadas do Faustão. Eu mesmo tomei dois lindos capotes dignos de Vídeo Cassetadas.

O segundo aspecto é o que você está levando de peso. Uma mochilinha leve com uma muda de roupa, toalha, protetor e repelente faz com que você acelere o ritmo e nem perceba a distância. Mas se a ideia é levar uma bagagem mais robusta, o caminho tende a ficar mais longo, além de potencializar desequilíbrios (não preciso dizer que minha mochila era praticamente para morar na praia).

Para terminar, a escolha do look ideal também é importante. Em uma trilha seca, é possível apostar em chinelo pré-praia sem grandes complicações. Mas, caso o caminho esteja mais úmido, acho que o tênis é um importante aliado. Como não custa nada diminuir os riscos, é bom já ir com uma roupa apropriada para a trilha e depois trocar lá na praia (OK, eu estava de sandália, parecendo uma mula de carga em um dia chuvoso, era a combinação do capeta que me levou a concluir o caminho em 1h35 de caminhada).

A Praia do Sono

Sabe por que é legal ir de trilha? Porque ela traz uma sensação de recompensa quando a gente chega ao destino. Nesse quesito, a Praia do Sono não deixa nada a desejar. Quando a gente vê aquele lindo mar esverdeado que balança lentamente sobre uma areia fofa e bronzeada, dá vontade de não sair mais dali.

A faixa de areia tem extensão de aproximadamente 1300 metros, onde é possível encontrar uma infinidade de campings, chalés e pequenos restaurantes caiçaras de frente para o mar. Não se preocupe, apesar de simples, é fácil encontrar lugares que aceitam cartões onde você pode pedir aquela porção para acompanhar a cerveja.

Por ser uma praia com acesso mais complicado e repleta de campings, é normal a frequência ser um pouco mais jovem. Alguns relatos na internet até mencionam o consumo de drogas pelos frequentadores. Como era um fim de semana de tempo instável e logo no começo de setembro, não tive essa vivência. Eram tão poucas pessoas aproveitando a faixa de areia que até parecia uma praia privada com um ambiente bem familiar.

Praia dos Antigos

Na outra ponta da Praia do Sono existe a continuação da trilha que leva para outras praias da região. A mais próxima é a Praia dos Antigos, um verdadeiro paraíso natural. Como é proibido acampar ali, a praia permanece praticamente intacta. O melhor é ir logo cedo e ter uma praia inteira só para você.

Para chegar lá, a trilha é bem menor, cerca de 30 minutos. Basta subir a encosta da colina pelos degraus de madeira e descer do outro lado. No meio do caminho, aproveite para recuperar o fôlego e curtir a paisagem do deck com uma vista incrível para a Praia do Sono.

Depois de Antigos, ainda tem Antiguinhos e Ponta Negra, mas como eu precisava voltar no mesmo dia, só conheci até ali. Precisava ter perna para encarar a trilha de volta, até porque, pela minha frágil condição financeira, é mais fácil pagar mico do que o barqueiro. Mas fica a certeza de voltar em breve para explorar ainda mais esse pedaço mágico do litoral carioca.

Quer ver mais fotos da Praia do Sono ou da Praia dos Antigos? Vai lá no nosso Guia!

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