Três Pedras e três mistérios

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A vista do Gigante Adormecido da Cuesta definitivamente é uma paisagem interessante. De fato, o contorno das formações rochosas lembra mesmo uma imagem humana deitada. Porém, bastam alguns segundos de observação para nossos olhos irem direto para algumas dessas formações especificamente: os pés do gigante.

Apesar de serem relativamente pequenas no contexto, o formato das Três Pedras costuma despertar nossa curiosidade. Mal sabemos nós, meros turistas, que aquele conjunto de morros testemunhos da Cuesta coleciona lendas e mistérios que extrapolam nosso imaginário. Duvida? Então, selecionei para você três histórias sobre as Três Pedras. Dá uma lida:

1. A relação entre Botucatu e a Suméria

Quando se pergunta o significado do nome “Botucatu”, para os mais inocentes, a resposta é a mesma. É uma adaptação da palavra tupi-guarani ybytu-katu e significa “bons ares”. Aparentemente, os indígenas apreciavam a leve brisa comum da região e resolveram fazer uma homenagem. Era uma história curiosa até a chegada do historiador e conhecedor da língua suméria, Frei Fidelis da Motta.

Sacerdote capuchinho de origem italiana, Frei Fidelis se transferiu para Botucatu em 1952 e ficou chocado com o nome da cidade. Para ele, era uma clara referência à palavra suméria bot uk at u, que significa “Templo da Serpente no Meio das Pedras”. Sim, quando eu digo sumério, estou me referindo ao povo Sumério, do sul da antiga Mesopotâmia.

O mais interessante é que essa não é uma teoria isolada. No Peru, existe uma linha de pesquisa que acredita que os Incas eram descendentes de povos da antiga Mesopotâmia ou Grécia. Essa é uma das principais formas de justificar a evolução técnica do povo, principalmente no trato dos metais. Um dos defensores dessa tese é o físico peruano Enrico Mattievich, que durante uma expedição arqueológica ao Palácio de Chavin Huatar, no Peru, encontrou um entalhe em pedra da Medusa (símbolo da mitologia grega).

Seguindo o mesmo contexto de raciocínio, Frei Fidelis acreditava que os povos antigos teriam encontrado e povoado a América bem antes do descobrimento. Isso explicaria as origens sumérias de algumas palavras. Mas não era só isso. O historiador acreditava que as Três Pedras ou, mais precisamente, a pedra do meio, serviam como um verdadeiro templo de adoração aos chamados “cultos negros”.

Se tratando de um templo de culto à serpente, nada mais justo do que elas terem fácil acesso à estrada da época: o Caminho do Peabiru.

2. O caminho do Peabiru e as Três Pedras

O Caminho do Peabiru é uma malha de estradas construídas pela América do Sul que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico, unindo, por exemplo, as cidades de São Vicente (São Paulo) e Cusco (Peru). Quanto a isso, não tem mistério. Muitos pesquisadores se dedicam a decifrar e encontrar os vestígios desse caminho, e já está provado que ele passava pelas Três Pedras.

A dúvida é, quem construiu esse caminho? Por passar pela capital do Império Inca, muita gente o relaciona com o povoado peruano para facilitar a explicação. Mas, segundo os arqueólogos, a construção do trajeto é datada de mais de um século antes da expansão do Império, o que refuta completamente a ideia. Então, quem construiu mais de três mil quilômetros de estradas conectadas? Tribos diferentes, e muitas vezes, inimigas? E será que é uma coincidência elas passarem justamente pelas Três Pedras?

Mesmo com todo o mistério sobre a origem, ficou comprovado que o Caminho do Peabiru era utilizado pelos Incas, por tribos brasileiras e, mais tarde, pelos jesuítas e até bandeirantes. Na verdade, há relatos de que, durante o século XVII, uma missão de jesuítas que levava um carregamento de ouro foi atacada por uma tribo indígena. Porém, antes do ataque, os religiosos conseguiram esconder o ouro. Sabe onde? Exatamente, na região das Três Pedras.

Como os missionários já estavam mortos, ninguém nunca mais conseguiu encontrar o tesouro.

3. A lenda de Conchas e o tesouro das Três Pedras

Não é bem essa a versão da história que os moradores da cidade de Conchas, município a aproximadamente 60 km das Três Pedras, contam. Segundo um relato antigo da região, um morador muito pobre da cidade desapareceu por três dias e, quando voltou, estava carregado de ouro. Com a fortuna misteriosa e repentina, não deu outra… Festa! Foi tanta farra que, quando percebeu, já não tinha mais nenhum dinheiro. Resultado: bastou ele desaparecer alguns dias de novo para voltar cheio da grana novamente.

Intrigados, os moradores da cidade começaram a questionar a origem de tanta fartura. Depois de muito convencimento, o homem revelou a origem do dinheiro. Ele havia encontrado ouro na região das Três Pedras.

Quando o dinheiro acabou novamente, o homem partiu em mais uma jornada. Porém, dessa vez, nunca mais voltou. Com o passar do tempo, essa história se transformou em uma lenda da região, na qual o desaparecimento desse homem se deu justamente pela revelação do segredo. Com isso, o mistério acabou por aí.

Será? Depois de ler os dois primeiros pontos, é bem possível que essa lenda tenha pelo menos um fundo de verdade. E é aqui que entra o terceiro mistério. Esse tesouro realmente existiu? E quem pode dizer que não sobrou nada lá?

Provavelmente, nunca saberemos a resposta. Mas não custa nada dar uma conferida, não é mesmo? Hoje, as Três Pedras fazem parte de uma propriedade privada, mas sua visitação é permitida. Algumas agências de turismo até oferecem trekking pela região. É a melhor forma de conhecer esses contos no próprio local.

Esses são alguns dos mistérios acerca dessa linda formação geológica. Há quem vá ainda mais fundo e até confirme a aparição de óvnis, luzes ou campos magnéticos estranhos. Sobre esses relatos, eu ainda vou lá pessoalmente conferir e depois conto tudo aqui com mais detalhes.

E você? Quando vai pegar a estrada para ver de perto todos esses mistérios da Cuesta?

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