Travessia: Pedra Grande à Pedra Coração

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Basta começar uma conversa sobre destinos de ecoturismo perto de São Paulo que logo alguém vai citar a Pedra Grande de Atibaia. Por isso, ela sempre esteve no topo da lista de prioridades do Mundo Logout. E foi justamente nessa pesquisada básica pré-aventura que descobrimos algo extremamente importante. Existe uma outra pedra na região com uma vista incrível e que não é tão popular quando à Pedra Grande. O melhor de tudo que dá para fazer uma trilha e conhecer as duas no mesmo passeio.

Gostou da ideia? Então pega esse textão com tudo o que você precisa saber para se aventurar nessa jornada.

A Pedra Grande de Atibaia

Mas se você nunca ouviu falar nessa tal pedra, vamos começar do começo. O Monumento Natural Estadual da Pedra Grande é uma unidade de conservação, na Serra do Itapetinga, com uma área de 3.297 hectares distribuídos pelas cidades de Atibaia, Bom Jesus dos Perdões, Mairiporã e Nazaré Paulista. Seu ponto principal é justamente uma formação imensa rochosa localizada a mais de 1400 metros de altitude, a famosa Pedra Grande.

Ok, deu para entender pelo nome e pela foto aqui de cima que a pedra não é pequena. Mas acredite em mim, o nome não faz justiça. A pedra é MUITO grande. Se você for até a beiradinha onde os carros estão estacionados e olhar mais para baixo, sabe o que você vai ver? Mais pedra.

Como se não bastasse tanta pedra para frente, para trás e para os lados, ainda dá para encontrar pedras mais para cima. Por meio de umas trilhas mais aventureiras, que são praticamente uma mini escalaminhada, é possível chegar até o Pico do Cocuruto, que nada mais é do que algumas outras rochas para você subir e apreciar a vista.

Como o acesso pode ser feito de carro pela estrada de terra, a Pedra Grande costuma ser procurada por muitos visitantes que querem fazer um piquenique com a família, além dos aventureiros, como jipeiros, praticantes de voo livre, trilheiros, bikers, entre outros. Se você chegar tarde, não se preocupe, ainda vai encontrar um pedacinho de pedra para curtir.

Ah, vale lembrar que lá em cima não tem nenhuma estrutura, como banheiros e lanchonete. Por isso, o melhor é trazer seu próprio lanche para não passar fome durante o passeio. Além disso, aposte em um casaco. O vento constante é daqueles de gelar a espinha.

Bem, está tudo muito lindo e divertido, mas esse não é mais um texto apenas sobre a Pedra Grande. Eu havia lido na internet que existe um caminho que pode ser feito a pé para ir dali até a Pedra Coração e resolvi testar para ver se realmente é possível.

A travessia entre as pedras

Antes de prosseguir, vou deixar alguns pontos bem claros. Primeiro, não tem nenhuma indicação pelo caminho, então, se você quer fazer o trajeto, é importante ler atentamente esse trecho que vou tentar oferecer o máximo de detalhes para você não se perder. Segundo, são aproximadamente 10 km entre uma pedra e outra, ou seja, prepare sua perna e seu coração para a jornada. Terceiro, ao chegar lá, você vai perceber que valeu muito a pena!

Antes que você se assuste, o trajeto entre a Pedra Grande e a Pedra Coração não é uma trilha no meio da mata, mas sim uma rota toda percorrida por estradinhas de terra. Ora mais largas, ora mais estreitas. Sendo assim, por que não ir de carro? O problema aqui é que o acesso não é tão simples e só carros realmente preparados para aventura, como 4×4, conseguem superar os obstáculos. Como não temos orçamento para isso (ainda) e como achei que ia passar mais tempo empurrando do que pedalando uma bicicleta (um bom palpite) optei por fazer os 10 kms a pé mesmo.

Para fazer esse caminho é preciso voltar um pouco pela estrada de acesso à Pedra Grande até a Bifurcação 01 com a indicação da “Rodovia Dom Pedro I”. A placa indica para a esquerda, que é a volta mais rápida para Atibaia, mas o nosso caminho está para direita, um trecho de subida.

A partir daí, a paisagem muda muito pouco: estradinha de terra cercada por mata pelos dois lados. Às vezes aparece um sítio, às vezes aparece um lago simpático como esse da foto, mas é muito raro.

Como era de se esperar, o sinal de celular não existe, nem para uma conferência rápida de caminho. Então, é preciso ficar atento pois existem várias bifurcações no trajeto, mas quase todas elas são entradas para propriedades particulares e é fácil de reconhecer qual é a continuação da estrada. Porém, existem duas bifurcações em que podem acontecer um erro de caminho. A primeira, Bifurcação 02, é marcada por um ponto de ônibus de madeira. Ali é preciso entrar a esquerda. Nesse, a estrada ficará um pouco mais estreita, mas pode seguir em frente que é o caminho certo.

Já no final do trajeto, aparece a Bifurcação 03 que é praticamente um cotovelo que você precisa fazer para a direita. A partir dele, começa a subida final e são apenas 700 metros até a Pedra. Nessa hora, meu celular tinha um fiapo de sinal que me permitiu conferir a localização. Porém, esse trecho após a virada não aparecia no mapa. Mesmo assim eu subi e, como suspeitava, estava certo. Era ali mesmo.

Por mais que você tenha lido o texto e feito as anotações, se ficar com qualquer insegurança não deixe de perguntar para alguém no caminho.

A Pedra Coração

Depois de uma longa pernada, nada mais empolgante do que chegar ao destino. A Pedra Coração é na verdade um conjunto de formações rochosas, por volta de 1100 metros de altitude, com uma vista incrível do vale formado pelo do Ribeirão Cachoeirinha. Ao longe, estão as cidades Bom Jesus dos Perdões e Nazaré Paulista. Ali, sentar-se para apreciar a vista não descansa apenas as pernas, mas também a alma.  

O nome do local é dado graças a uma rocha em formato de coração. Dizem que é justamente por isso que o ponto é escolhido por muitos apaixonados para ser o palco de declarações amorosas. Bem, não tinha nenhum casal quando chegamos lá, mas fica aí uma inspiração.  

Nada como a sensação de chegar ao fim da jornada sem se perder e ainda admirar uma paisagem única. Porém, é preciso lembrar que nem tudo está acabado, é preciso voltar para casa. Nessa hora, meu plano foi muito simples. Continuei descendo a estrada de terra (trecho azul no mapa) até chegar na Cachoeira do Barrocão.

Quem gosta de uma água gelada para fechar o passeio, essa é uma boa oportunidade. A cachoeira não tem grandes quedas d’água, mas dá para se refrescar depois de andar tanto.  Como o tempo estava muito frio para essa ousadia, atravessei o curso do rio e segui para a Estrada Municipal 050 que vai direto para Bom Jesus dos Perdões em mais duas horinhas de caminhada (aproximadamente 8,5 km). Não precisei fazer isso porque já tinha combinado com um carro de apoio para me pegar justamente ali. Um bom planejamento pode salvar vidas!

Perguntas e respostas:

Essa é a única trilha para a travessia?

Pelo que eu li na internet, é bem provável que exista outro caminho, mas não é fácil encontrar. Pedi várias informações para as pessoas que estavam na Pedra Grande e ninguém soube dizer. Como eram poucas informações, achei melhor seguir pela estradinha de terra mesmo.

Durante o caminho, é possível comprar algo?

Não. Durante esses mais de 10 km que percorri, não tem nenhuma vendinha para comprar nem água. É importante saber disso e se planejar direitinho.

Tem mais subida ou mais descida?

Tem subidas e descidas o caminho todo, mas de maneira geral, os trechos planos e leves descidas são maioria (exceto aquele final para chegar na pedra, ali só por Deus mesmo).

Dá para fazer sozinho ou ir em grupo?

É um caminho bem solitário então é bom pensar nisso. Durante todo o percurso, cruzei com um grupo de ciclistas, alguns atletas de motocross e dois homens fazendo corrida de montanha. Era muito tempo andando só eu e Taty no silêncio da natureza. Quem se sente inseguro, é bom contar com um grupo, mas o trajeto é longo e isso pode causar uma diferença de preparo físico.

Vale a pena fazer essa travessia?

Se a ideia é julgar pelo trajeto em si, creio que não. A paisagem não oferece nada de diferente do que eu trouxe nas fotos. A questão aqui é mais o desafio de fazer de uma pedra à outra andando, o que eu acho bem legal.

Dá para subir na Pedra Coração andando menos?

Sim, até deixar o carro na Cachoeira do Barrocão é uma opção. Dali, são aproximadamente 2 kms até lá em cima. Dependendo das condições da estrada, também dá para subir até lá de carro, mas um 4×4 é mais garantia de sucesso.

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