Núcleo Pedra Grande: um atentado ao meu sedentarismo

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Se você tem o espírito aventureiro, talvez ache que andar por entre as árvores em um caminho asfaltado é moleza, certo? Mas quem me conhece sabe que, apesar de adorar a natureza, passo muito mais tempo na frente do computador do que gostaria.

Queria fazer um passeio perto de São Paulo e o Murilo me sugeriu o mirante da Pedra Grande. Ela dá nome a um dos núcleos do Parque Estadual da Cantareira, na zona norte da cidade. Aceitei o desafio de escrever sobre esse destino para o Mundo Logout e numa manhã de sábado tirei o maridão da cama e parti para aventura.

Como fui de carro, o Waze foi o responsável pelo caminho e não causou nenhuma decepção. Quando cheguei perto do destino, passei na frente do Horto Florestal e segui por uma rua mais estreita até chegar na entrada do Núcleo Pedra Grande. Por sorte, conseguimos vaga na área de estacionamento, mas deve ser mais difícil estacionar em dias movimentados, como domingos ou durante o verão e a primavera.

Assim que passei a entrada, o gestor da Fundação Florestal responsável pelo Cantareira, Vladimir Arrais de Almeida, veio me perguntar se era a minha primeira vez e me explicar como funcionava o parque. O grande destaque do Núcleo Pedra Grande é o mirante com uma bela vista para a cidade de São Paulo, mas também é possível acessar o Lago das Carpas (que na verdade pertence ao Núcleo Águas Claras) e fazer outras trilhas dentro do parque. Todo o caminho é sinalizado, autoguiado e tanto no lago quanto no mirante o visitante encontra banheiros.

Um passeio para quase todo mundo

A trilha principal, que leva até o mirante, era uma estrada de serviço e, por isso, é bem larga e asfaltada. Nessa hora, lembrei de um outro lugar ali pela região que eu já tive o prazer de conhecer, o Núcleo do Engordador. Segundo Vladimir, apesar de serem bem próximos, os dois locais atraem públicos distintos. Justamente por ter uma trilha asfaltada, boa parte dos visitantes da Pedra Grande é mais praticante de caminhadas, com um viés mais esportivo. Já os frequentadores do Engordador tem como perfil a combinação família-lazer.

Eu brinquei com ele e disse que, já que o caminho tem bancos, eu podia desistir e ficar por ali mesmo. Aí que veio a surpresa: tem gente que desiste mesmo! O funcionário que faz a ronda de moto geralmente encontra pessoas mais velhas que passam dificuldade e interrompem o passeio, e então o carro de apoio da Fundação Florestal vai buscar.

Cogitei pegar o telefone dele para avisar da minha futura desistência, mas logo soube que ali era difícil conseguir sinal. Ao perceber meu sedentarismo, Vladimir que eu fosse somente até a Pedra Grande. É claro que eu fiquei pensando: “onde foi que eu me meti? Eu tô bem enferrujada e era pra ser uma caminhada tranquila…”, mas era inútil sofrer por antecipação. Decidi avaliar se ia ao Lago das Carpas quando chegasse na Pedra Grande.

Contato com a natureza

Sem mais delongas, parti para a trilha. A quantidade de árvores é tão abundante que você nem percebe que estava em uma rua residencial antes de entrar no núcleo. A temperatura é mais baixa, o barulho do vento e dos pássaros é predominante. E pensar que eu estava apenas na zona norte da capital.

Para manter um bom ritmo, tentei me concentrar na respiração e fui apreciando a paisagem. Para escrever para o Mundo Logout, tive que fazer mais pausas para fotos do que gostaria, mas é por um bom motivo.

A paisagem da Pedra Grande dá dimensão do tamanho de São Paulo, com seus altos prédios e poluição visível, mas ao mesmo tempo é bom saber que existem espaços onde a natureza pode conviver lado a lado com o concreto sufocante.

Vista de São Paulo do Mirante da Pedra Grande, no Parque Estadual do Cantareira

Quanto a minha sensação física, eu até me surpreendi em ter sentido dificuldade só em duas inclinações na ida, então quando cheguei na Pedra Grande, onde parei para comer um lanche (é preciso levar), resolvi dar aquela esticada, contrariar Vladimir, e ir até o Lago das Carpas.

Foi aí que eu entendi porque o experiente gestor me deu aquele conselho. Uma  descida longa e inclinada logo antes da chegada ao lago prometia complicar minha vida na hora da volta. Mas valeu a pena aceitar o desafio, o lago é muito bonito e tem um bambuzal perto que se destaca na paisagem. A área também tem um playground muito conservado.

Fiquei calculando o quanto eu percorri com base nas placas do caminho, mas só quando voltei para a entrada eu vi a placa indicando 9.6km. Se para mim um mínimo esforço é uma aventura, senti aquele orgulho de ter chegado nessa marca.

Principais informações para visitação

Se você quer conhecer a Pedra Grande, primeiro precisa se vacinar contra a febre amarela com pelos menos 10 dias de antecedência. Tenha consciência que a caminhada é de dificuldade moderada, então não recomendo que faça como eu e saia do ponto morto para a quinta marcha de uma vez (sério, foram dois dias de dor intensa nas pernas, joelhos e pés). Vá com roupa e calçado confortáveis para a atividade física e leve água e alimentos leves.

A entrada é R$ 15,00, mas menores de 12 anos e maiores de 60 anos entram gratuitamente. Estudantes pagam meia entrada. O parque funciona aos sábados, domingos e feriados das 8h às 17h, mas a trilha à Pedra Grande não pode ser iniciada após às 15h.

O mais importante de tudo isso foi a lição aprendida. Às vezes, vemos a prática do ecoturismo como uma coisa complicada em que nós precisamos viajar para lugares distantes, acampar, conhecer chapadas, mas não é bem assim. Dentro da maior cidade do país podemos quebrar a rotina e encontrar um pouco de verde. Fazer um piquenique no mirante da Pedra Grande é tão simples, rápido e extremamente prazeroso que eu me pergunto até agora porque eu não tinha ido.

Ah, sim! A segunda lição também foi compreendida. Já comecei a fazer caminhadas para sofrer menos, então quem sabe em breve não posso assumir desafios mais complexos para os próximos textos?

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