Cuesta: o que exatamente é isso?

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on email
Share on telegram

Vou te apresentar um dos destinos mais incríveis que conheci nos últimos meses: a Cuesta. O lugar é tão fantástico que fica difícil traduzir em palavras. Além das paisagens de tirar o fôlego (literalmente), ele é cheio de peculiaridades interessantes. Então, duvido você não terminar a leitura já com vontade de arrumar a mala e cair na estrada.

Apesar do nome, não se trata de nenhuma região da Espanha, e sim do Centro-Oeste de São Paulo. Mas, antes de falar da localização exata, deixa eu te explicar melhor esse termo. Cuesta é um tipo de relevo onde uma colina ou monte tem declive assimétrico. Ou seja, um lado pode ser extremamente marcante, como um paredão, e o outro, discretamente desnivelado, quase imperceptível.

Nesse caso, um lado tem aproximadamente 550 metros de altura e o outro, cerca de 950 metros. A região está localizada entre as bacias hidrográficas dos rios Tietê e Paranapanema, que também influenciam no formato da área.

No relevo brasileiro, as Cuestas Basálticas se estendem de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Mas a formação mais perceptível, com as paisagens mais belas, fica no interior de São Paulo. Elas são tão marcantes que a região, que engloba as cidades de Botucatu, Bofete e Pardinho, ficou conhecida como Pólo Cuesta ou Cuesta de Botucatu.

História e surgimento

Eu não poderia fazer essa viagem sem antes saciar minha curiosidade jornalística sobre como aquele “Picasso geográfico” aconteceu. Por isso, acabei mergulhando nas pesquisas. Descobri que estava prestes a visitar uma senhora Cuesta de respeito. Ela é resultado de eventos naturais ocasionados desde a época da Pangea, quando os continentes ainda eram unidos. Estamos falando aqui da era Paleozoica, há, pelo menos, mais de 500 milhões de anos.

Naquela época, a Terra era coberta por um mar raso. E foi o vai-e-vem dele que formou uma bacia sedimentar, conhecida hoje como Bacia do Paraná. Já no período Jurássico (era Mesozóica, há 200 milhões de anos), dunas irregulares começaram a se formar no local pela ação do vento. E assim nasceu o deserto de Botucatu, entre 130 e 160 anos atrás, com um milhão de quilômetros de extensão. Quem diria, hein?!

Mais tarde, essas dunas se transformaram em rochas areníticas, compostas basicamente de areia e quartzo. Eram as chamadas Formações de Botucatu.

Ainda na era Jurássica, o fenômeno natural de separação continental causou uma série de mudanças geomorfológicas. Durante o acontecimento, as rochas compostas em sua maioria por argila foram “dobradas”. Enquanto isso, os arenitos, mais resistentes, apenas partiram-se. O território recebeu vários tipos de sedimentos, incluindo o magma, compactando essas rochas e também o solo. Sem falar na ação de intempéries, como chuva, vento e sol.

E não parou por aí, não. Esse fenômeno continuou até quase o fim da era Cenozóica, há mais ou menos 2 milhões de anos. Além da Cuesta, ele deu origem à Cordilheira dos Andes (Chile) e às serras do Mar (São Paulo) e da Mantiqueira (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro).

O mais impressionante de toda aquela paisagem que eu estava ansiosa para ver de perto era saber que ela pode parecer completamente diferente daqui mais uns milhões de anos. Eu não durarei até lá para conferir, mas é inspirador pensar que a natureza está sempre em evolução.

Principais pontos turísticos

Pardinho e Botucatu têm as paisagens mais bonitas e elevadas do pólo. Já quem o conhece por Bofete, tem a visão inversa: a imponência da Cuesta vista de baixo. Quando estamos lá em cima, a vista do morro na frente da Cuesta (morro testemunho) é um show à parte. Desse cume, é possível ver o antigo front dela e também alguns recuos, causados pela erosão. Os mais famosos são o Gigante Adormecido, a Pedra do Índio e as Três Pedras.

Tanto o gigante quanto o índio fazem jus aos nomes. É impressionante ver como essas rochas se parecem mesmo com um gigante deitado e um índio, dependendo do ângulo em que são vistas.

Já as Três Pedras são um conjunto de rochas que formam os pés do grandalhão dorminhoco. Diz a lenda que elas escondem estradas construídas antigamente pelos Incas, para ligar o Oceano Pacífico ao Atlântico. Mas o misterioso Caminho do Peabiru, entre outros contos locais, ficarão para um próximo post aqui no Mundo Logout.

Não importa o que você enxergue ou no que acredita, a vista da Cuesta será magnífica de qualquer jeito nesses pontos.

Atrações

Se você tem uma pegada mais hardcore, a região é perfeita para a prática de voo livre, tirolesa, passeios de buggy, off road, escalada esportiva, rapel, slackline e cicloturismo.

Já se prefere uma experiência mais relax, a boa é se jogar nas lindíssimas trilhas em meio à Mata Atlântica e cachoeiras. São várias opções, entre elas a Véu da Noiva, Cachoeira da Marta, Pavuna, as três cachoeiras da Fazenda Canela, entre outras.  

Além disso, você também pode curtir o Centro Max Feffer, o Museu de Mineralogia Aitiara, a Fazenda dos Bambus e a Paróquia do Divino Espírito Santo. E não deixe de experimentar a deliciosa gastronomia e produtos artesanais locais, com um gostinho caipira irresistível.

Vai por mim, a experiência na Cuesta é singular e renovadora. Nem parecia que eu estava em São Paulo nesse pedacinho “espanhol”. Então, te aconselho a reservar de dois a três dias para explorar tudo isso sem pressa, com ou sem a família. O importante é curtir cada minuto da viagem e fazer um álbum de fotos digno de fotógrafo profissional.

E aí, a mala já tá pronta?

Tags

sobre o autor