Cuesta é destino turístico para quem gosta de paisagem, aventura e história

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Pardinho, Botucatu e Bofete. Se você nunca ouviu falar nessas cidades, peço que invista alguns minutinhos lendo esse texto. Esses são os três principais municípios que fazem parte do Pólo Cuesta. As cidades da região Centro-Oeste do Estado estão entre os rios Tietê e Paranapanema, a pouco mais de duas horas da capital, e se transformaram em centro turístico. Nelas, você aproveita as paisagens do relevo típico espanhol das mais variadas formas: da contemplação à escalada esportiva. Não importa qual a sua escolha, ela te deixará sem fôlego.

Apesar das paisagens e tantas opções de turismo, a Cuesta ainda não é tão conhecida, como outros destinos de aventura do estado. Não que isso seja um problema. Até porque, nada melhor do que conhecer um local sem aquele enxame de turistas. Mas, para entender essa falta de popularidade, é preciso compreender um pouco o histórico e contexto no qual ela foi habitada no período pós-indígena.

Panorama histórico da região

Sim, existiam tribos antes lá! Mas, há algumas décadas, o que era rural virou urbano. Aos poucos, as cidades foram se organizando ao redor do relevo. Assim, o cenário social se transformava, preservando ao máximo as belezas naturais da região.

Botucatu é conhecida como a cidade dos bons ares. A palavra vem do tupi, ybytukatu (vento bom). Ela tem mais de 140 mil habitantes e foi fundada em 1855. E uma das primeiras comunidades a desfrutar desses ares foi a dos fazendeiros de café. Em 1830, eles decidiram subir a Cuesta, ainda inabitada. A partir daí, o cultivo do grão nas abundantes terras fez a economia local disparar.

Até hoje você encontra café secando no alto da Cuesta

Nomeado Município de Interesse Turístico pelo Ministério do Turismo, quem vê Bofete de fora hoje nem imagina que ali habitava a tribo Kanhgág. Localizada na Serra de Botucatu e estabelecida em 1921, a cidade tem cerca de nove mil habitantes. O território indígena foi conquistado em 1912 pelo governo do Estado, dando lugar à urbanização das ferroviárias, aos imigrantes italianos e, claro, ao café.

Já Pardinho tem pouco mais de cinco mil habitantes e foi fundada em 1959. Fruto da colonização na Serra, a cidade também embarcou na onda da cafeicultura do oeste paulista. Como era de difícil acesso, algumas terras foram cedidas pelo governo aos colonos em 1766. Mas eles começaram a chegar só em 1830, com a abertura de uma nova estrada. Mais tarde, a crise do café em 1930, deu lugar à criação de gado em 1950, acabando com uma longa recessão no município.

Como podemos perceber, o início da urbanização da Cuesta é relativamente recente. E outro aspecto de impacto em seu turismo tardio é justamente o acesso. A principal maneira de chegar à região é pela Rodovia Castelo Branco, que começou a ser construída apenas em 1963, bem depois das vizinhas Raposo Tavares e Via Anhanguera.

Por isso, quem resolve desbravar esse pedaço do oeste paulista ainda encontra aquele ar de novela de época. Café sendo produzido, gado espalhado nos pastos… No entanto, o turismo local se fortalece a cada ano. Aliás, eles souberam aproveitar esse novo e promissor setor econômico como poucos. E sabe por quê?

Tédio e Cuesta não combinam

Porque a Custa é simplesmente um dos destinos mais completos que já estive. As opções turísticas são tantas que tive que fazer uma lista de experiências — todas imperdíveis, por sinal. Então, monte o seu roteiro personalizado. Parado ninguém vai ficar!

Trekking + cachoeira + paisagens

As trilhas com cachoeiras na Cuesta são inúmeras. Infelizmente, algumas ficam em propriedades privadas e não permitem visitas. Mas ainda sobram boas opções públicas para refrescar os visitantes. As paisagens ao redor são revigorantes.

Sempre tem uma cachoeira por perto, é só perguntar

Tirolesa

Um dos destaques do local é a jovem Tirolesa do Gigante. A atração reúne uma descida de 800 metros diante da principal paisagem da região. Só de olhar, já dá frio na barriga. Mas ele vale muito a pena no final.

Para quem gosta de sentir o “friozinho” na barriga

Passeio de buggy

Que tal conhecer as estradas de terra em um passeio de buggy? Basta agendar o horário para explorar a Cuesta com toda a adrenalina que ela proporciona.

A melhor maneira de desvendar os segredos da região

Voo livre

Se a região é famosa pelos “bons ares”, nada mais justo do que experimentá-los em grande estilo. Na Base da Nuvem, é possível praticar voo livre e conhecer as paisagens lá do alto. No futuro, tudo indica que teremos ainda mais opções de conquistar os céus da Cuesta.

Bons ares e bons ventos para quem gosta de voar

Escalada esportiva + rapel + cascading

Para quem gosta de escalar, paredões não faltam nessa região. Um dos destaques é a Pedra do Índio, que une paisagem e desafio. Em algumas cachoeiras, também é possível agendar um cascading (escalada em quedas d’água).

Adrenalina em uma paisagem de tirar o fôlego

Cicloturismo

As estradas que ligam os pontos turísticos também têm chamado a atenção dos visitantes. Tanto é que a Cuesta já recebe atualmente uma das provas da Brasil Ride, ultramaratona de mountain bike. Então, não se esqueça de trazer a bicicleta.

Pedalar é uma boa opção para conhecer os principais pontos turísticos

Degustação dos sabores do campo

Quem gosta de culinária artesanal já precisa colocar a região no mapa de interesses. São diferentes opções para o paladar, como a Cervejaria Glatz e os queijos da Pardinho Artesanal ou da Fazenda Três Barras.

Queijos trufados e temperados para satisfazer os paladares mais exigentes

Cultura caipira

Nessa lista, não poderia faltar um aspecto fundamental: a cultura caipira (sobretudo a música). No Centro de Cultura Max Feffer, em Pardinho, o turista pode conhecer um pouco mais sobre essa tradição e ainda tirar uma foto com a maior viola do mundo.

Prepare-se para ouvir aquele modão legítimo

Vale a pena passar uns dias nesse destino para aproveitar tudo que a Cuesta tem a oferecer. E, mesmo assim, será difícil conseguir experimentar todas as suas atrações (eu ainda não consegui). Mas, se a intenção não é se mudar para lá de vez, não tem problema. O legal é ir sempre, já que ela fica a pouco mais de duas horas da capital.

Cada visita é uma nova perspectiva. Não é à toa… O lugar é digno de toda a apreciação e reconhecimento não só pelas suas paisagens, mas também por suas origens.

E, falando em origens… clique aqui e saiba o que é a Cuesta e como ela se formou, há mais de 500 milhões de anos atrás.

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