As surpreendentes cinco cachoeiras da Pavuna

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Antes de qualquer viagem, é sempre bom pesquisar sobre o destino para evitar situações desagradáveis. Mas essas buscas também podem dar algumas pistas e deixar a aventura mais previsível. Foi mais ou menos assim quando caí na estrada atrás do complexo de cachoeiras Pavuna. Como tinha visto algumas fotos do lugar, achei que só ia confirmar aquilo que eu já sabia. Mas, pessoalmente, não foi bem assim. As quedas eram muito mais surpreendentes e fizeram o passeio valer a pena.

Se você está com medo de spoilers, não se preocupe. Nada do que você ler ou ver aqui diminui a sensação única que é conhecer essas cachoeiras. Confie em mim.

Mas antes de se aventurar no meio do mato, vamos dar uma contextualizada nesse rolê. A Fazenda Pavuna, onde ficam as cachoeiras, é uma propriedade particular a aproximadamente dez quilômetros de Botucatu, cidade do oeste paulista. Para conhecer o local, é cobrada uma taxa de entrada de oito reais por pessoa.

Diferente de outros lugares, chegar lá é extremamente fácil e não precisa pegar nenhuma estrada de terra. A fazenda está caprichosamente localizada na Rodovia Marechal Rondon, sentido Bauru para quem sai de Botucatu. Mas é preciso ficar bem atento ao discreto acesso localizado um pouco antes do pedágio, logo depois da placa de um quilômetro de aproximação. Ao sair do complexo, não dá para escapar da tarifa, mas você nem vai se importar com isso no final do dia.

Cadê as cachoeiras?

O passeio começa assim que deixamos o carro no estacionamento e pagamos a taxa de entrada. Nessa hora, é normal ter aquela desconfiança básica: onde estão as incríveis cachoeiras das fotos? Olhando ao redor, só conseguimos ver pastos e pequenos trechos de mata nativa, que parecem bem modestos para esconder cinco quedas d’água tão grandes. Mas não tive escolha a não ser seguir a orientação da placa para descobrir a verdade.

Ao me aproximar da vegetação, a trilha se dividiu em duas. A primeira opção indicava três cachoeiras e suas respectivas distâncias: Pavuna 3 (1.310 metros), Pavuna 4 (1.305 metros) e Pavuna 5 (1.377 metros). Um pouco mais à frente, uma segunda placa indicava a entrada para as trilhas da Pavuna 1 (750 metros) e Pavuna 2 (710 metros). Ambas as sinalizações avisavam o grau de dificuldade: médio ou alto. Se elas estavam cuidadosamente numeradas, nada mais justo do que seguir a ordem.

Pavuna 1 e Pavuna 2

Assim que a trilha começa, descobrimos três novas informações. A primeira é que as cachoeiras estão perto, já que é possível ouvir nitidamente o barulho da água. A segunda é que aquela pequena porção de mata esconde um vale enorme, que não pode ser visto por fora. E a terceira é que a trilha definitivamente não é das mais simples.

Esqueça aqueles trechos abertos, cobertos de cascalho. Esse caminho apertado entre as árvores desce lentamente o vale, e é um prato cheio para quem busca uma trilha de raiz. Lá, a aventura está repleta de pedras soltas, descidas íngremes e obstáculos. Em alguns pontos, é preciso usar as cordas estrategicamente posicionadas para continuar o trajeto. Então, se você pensa em ir de chinelo, pode descartar a ideia.  

Há quem diga que, quanto mais difícil o caminho, maior a recompensa. Tenha isso em mente e, de repente, antes mesmo de sair das folhagens, você verá o contorno da Pavuna 1 e seus 48 metros de altura.

O volume de água é tanto que o ar é preenchido por aquele vento úmido e constante, típico de cachoeira, que recarrega nossas energias. Em poucos segundos, eu já estava todo molhado antes mesmo de chegar ao poço.

Basta voltar um pouco pela trilha para pegar o acesso à Pavuna 2. Um pouco mais curta que a primeira, com 36 metros de altura, a segunda queda não ficou para trás no quesito beleza. Mas a névoa era tanta que ficava até difícil de fotografar sem que as gotículas desfocassem as imagens.

Um dos diferenciais da Pavuna 2 é que o espaço ao redor da queda é mais aberto e fácil de caminhar. Lá também fica um dos pontos mais interessantes do passeio: uma pedra posicionada a poucos metros da cascata, o melhor ponto para admirar o poder da natureza.

Pavuna 3 e Pavuna 4

Se a ideia é visitar todas as cachoeiras, é preciso fazer o caminho de volta e pegar a outra bifurcação no começo da trilha. Ao chegar lá, bate aquela tristeza na gente. Percebi que as distâncias para as outras três quedas eram bem maiores que as das duas primeiras. Mas, calma… Nem tudo está perdido para você, leitor. Boa parte da trilha era bem mais aberta e tinha nível de dificuldade baixo. Um acesso ou outro foi mais complicado, na minha opinião, mas nada comparado ao trajeto para as duas primeiras.

Antes de chegar à Pavuna 3, o caminho me brindou com uma pequena queda d’água. Ela é praticamente uma “Pavuninha”, dizendo para seguirmos firmes.

A Pavuna 3 e a Pavuna 4 ficavam praticamente no mesmo local, num ponto em que dois cursos d’água acabaram se unindo e formando um “V”. A primeira que vi foi a Pavuna 3. Apesar de ela ser a mais baixa do complexo (apenas 14 metros), era talvez a mais charmosa. O percurso da água escorrendo pelas pedras trouxe delicadeza ante ao poder de suas vizinhas no complexo.

Bastou eu dar mais alguns passos para encontrar a Pavuna 4. Nela, a vazão de água era abundante. Esse detalhe torna seu poço o maior de todos entre as cachoeiras dali. A “piscina” é ideal para quem gosta de se banhar em águas mais agitadas.

Depois de quatro cachoeiras diferentes e tanto tempo de trilha, pensei “será que a quinta queda d’água do complexo ainda vale a caminhada?”. Ah, se valeu! A Pavuna 5 tem nada mais, nada menos que 86 metros de queda. Foi o grand finale do meu dia inesquecível.

Mas nem tudo é tão simples quanto parece. Segundo a recomendação dos responsáveis pela Fazenda Pavuna, essa cachoeira não deve ser visitada sem monitoramento. O motivo é que a trilha tem um trecho no qual precisamos passar pelo curso do rio, caminhando sobre pedras molhadas e escorregadias. Por isso, o papel do guia é conduzir o visitante com segurança e evitar qualquer tipo de acidente. Então, se você quer conhecer essa queda, informe-se bem antes de se aventurar no meio das trilhas. Acredite, a experiência é recompensadora.

Se você se encantou pelas cinco cachoeiras da Pavuna, saiba que elas também são ideais para a prática de vários esportes radicais, entre eles o cascading (rapel em cachoeiras e cascatas). Basta procurar uma agência de turismo receptivo e agendar o passeio para deixar seu dia ainda mais completo.

Se você adora cachoeiras, mas acha que a aventura na Pavuna vai muito além do seu condicionamento físico, não se preocupe. Uma boa opção de fácil acesso é a Cachoeira Véu de Noiva, também em Botucatu.

Por ser uma área de relevo que faz parte da Bacia do Tietê, a região da Cuesta é repleta de cachoeiras. Mas nem todas são oficialmente abertas ao público. Mesmo assim, muita gente se aventura a conhecer esses locais sem nem compreender o motivo pelo qual eles estão fechados. Por mais bela que seja a paisagem, não vale a pena correr riscos desnecessários. Lembre-se disso e seja um turista consciente.

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